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Frase de Abraham Cezar

Era uma vez uma linda borboleta azul. Suas asas brilhavam sob a luz do sol como pequenas joias vivas, e ela adorava voar pelos campos, jardins e bosques, admirando a beleza do mundo. Em um de seus passeios, avistou ao longe um escorpião caminhando sozinho. Curiosa e gentil como era, aproximou-se para cumprimentá-lo. O escorpião ficou surpreso. Nunca antes uma criatura tão bela havia demonstrado interesse em sua companhia. Acostumado ao medo e à rejeição, ele não entendia por que aquela borboleta desejava estar perto dele. - Olá - disse a borboleta com um sorriso. - Posso caminhar com você? O escorpião, sem esconder o espanto, aceitou. A partir daquele dia, os dois passaram a passear juntos. A borboleta voava lentamente para não deixar o amigo para trás, enquanto o escorpião caminhava com rapidez para acompanhá-la. Com o passar do tempo, o escorpião começou a mudar alguns hábitos. Mantinha o ferrão recolhido e imóvel sobre as costas, como se quisesse mostrar que não representava perigo. Parecia até que não possuía ferrão. A borboleta o levava para conhecer lugares encantadores. Juntos atravessavam jardins coloridos, seguiam por caminhos floridos e observavam o pôr do sol nas avenidas arborizadas. Para o escorpião, aqueles momentos eram preciosos. Pela primeira vez em sua vida, sentia que alguém gostava dele de verdade. Até então, conhecera apenas a solidão. Todos fugiam ao vê-lo. Ninguém desejava sua amizade. O medo que inspirava era maior do que qualquer qualidade que pudesse ter. Mas a borboleta azul era diferente. Ela enxergava além da aparência e não demonstrava receio algum. Sua confiança fazia o escorpião sentir-se aceito, algo que jamais havia experimentado. Os dias passaram, e a amizade entre os dois parecia cada vez mais forte. Porém, certa noite, algo inesperado aconteceu. Como de costume, a borboleta adormeceu ao lado do escorpião. A noite estava silenciosa. Apenas o som suave do vento atravessava as folhas das árvores. Foi então que o escorpião sentiu um estranho impulso. Seu ferrão começou a se mover lentamente. Ele tentou detê-lo. Lutou contra aquele movimento. Mas, pouco a pouco, o ferrão ergueu-se sozinho, aproximou-se das delicadas asas da borboleta e a atingiu. A borboleta despertou imediatamente, tomada por uma dor intensa. Assustada e com lágrimas nos olhos, olhou para o amigo e perguntou: - Você sempre foi tão gentil comigo. Por que me feriu? O escorpião abaixou a cabeça. Tomado pela tristeza e pelo arrependimento, respondeu: - Eu não queria fazer isso. Mas é da minha natureza. Tentei controlar meu instinto, porém não consegui. Aquelas palavras machucaram quase tanto quanto a ferroada. Com grande esforço, a borboleta afastou-se. Mesmo sentindo dor, abriu as asas e começou a voar. Voou para longe. Voou enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto. Voou sobre jardins, campos e rios, até que a distância entre ela e o escorpião se tornou impossível de medir. Com o tempo, a ferida cicatrizou. A dor diminuiu. A vida seguiu em frente. Mas a lembrança daquela noite jamais desapareceu completamente. Desde então, a borboleta aprendeu uma lição difícil: por mais que exista bondade e afeto, algumas criaturas não conseguem vencer a própria natureza. E, embora tenha conseguido superar a ferroada, a borboleta nunca mais voltou a se aproximar de um escorpião.

Abraham Cezar

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Se a intenção era atingir meu trabalho, errou a porta; se a intenção era me atingir usando inocentes como corredor, errou o prédio inteiro.
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Amar de verdade não é ceder tudo. É saber o que é negociável e o que é digno. É entender que diálogo não é favor, é fundamento. Que assumir erro não é humilhação, é maturidade. Que esperança não é sentimento, é prática. E que silêncio, quando vira hábito, não é paz. É abandono em câmera lenta.

Um intervalo onde a dor aprende a não fazer barulho. Onde o corpo aprende a suportar mais um pouco. Onde ninguém vence, ninguém perde — todos apenas continuam. Isso não é fracasso moral. É o retrato exato do que acontece quando a sensibilidade sobrevive tempo demais sem testemunh…
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Um intervalo onde a dor aprende a não fazer barulho. Onde o corpo aprende a suportar mais um pouco. Onde ninguém vence, ninguém perde — todos apenas continuam. Isso não é fracasso moral. É o retrato exato do que acontece quando a sensibilidade sobrevive tempo demais sem testemunhas.