Frase de Leonardo R. Pessoa
Manifesto analógico Caminho ao contrário da pressa digital. Meus pés fazem questão de tropeçar. Gosto de esbarrar nos nomes, perder o rosto e achá-lo na lembrança. Lembrar os números e discar. Deixar a voz ferver no ouvido sem acelerar o áudio. Não quero que um robô faça o que minhas mãos ainda tremem para fazer. Escrever torto, borrar o caderno, errar sem a opção de apagar. Minha mente é ilógica, se perde no meio da frase porque está ocupada sentindo. Fora do trabalho, me divorciei do virtual. Não confio o que amo às nuvens — nuvens não sabem ficar. Mudam de forma, trocam de nome, desaparecem sem se despedir. Voltei a imprimir memórias, fazer backup na gaveta, guardar fotos para que o tempo não as engula. Escrever cartas com minha letra, imprimir no texto minha personalidade. Não tenho pressa de chegar a lugar algum. Dificilmente chegarei ao dobro dos anos de hoje. O destino já não me interessa tanto quanto o caminho. Quero o que importa perto. Quero ter rabiscos nas margens dos livros, esperando o reencontro com minha versão mais ingênua.
No pensador.ai desde