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Frase de Rita Taborda Duarte

Nunca saiu à rua, sem esticar os lençóis à cama com a precisão de quem faz as manhãs todos os dias, de quem dá um jeito à vida, antes de se pôr a trabalhar. Uma cama bem feita vale bem um verso terminado, sem o desperdício das palavras que não rimam. Há que resgatar o gesto repetido, dia a dia, como quem cumpre a métrica precisa do poema; uma cama desfeita e ao desalinho é um sítio perigoso para deixar o corpo a descansar, lugar de roturas, ligamentos um passo em falso, tropeçado sem cuidado, e podemos dar um mau jeito ao coração.

Rita Taborda Duarte

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Chamam-lhe amor Há que dar às coisas nomes curtos e simples, para que a palavra nos venha aos lábios
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Chamam-lhe amor Há que dar às coisas nomes curtos e simples, para que a palavra nos venha aos lábios obedientemente canina, mas o certo é que lhe podíamos dar um outro nome - qualquer um - Boby, Tejo ou Lassie, fora o amor uma cadela parida com as tetas maceradas a roçar o chão. Qualquer nome lhe daríamos, ao amor e o resultado seria sempre o mesmo: Um ganido tímido a morder-nos de cio o coração da noite.

O mundo não é feito de pessoas, nem de casas, nem de coisas. O mundo é feito com palavras perfiladas como pedras
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O mundo não é feito de pessoas, nem de casas, nem de coisas. O mundo é feito com palavras perfiladas como pedras sobre pedra e em cima de outra pedra, ainda. São de palavras de pedra, as paredes do mundo: direitas e exactas como um fio de prumo. Se nos tiram a língua, as várias línguas que tem a nossa língua: esta língua com que te falo, a língua com que te beijo, esta mesma língua com que digo esse nome que tu és, roubam-nos mais mundo ao nosso mundo. E um mundo rente, sem paredes, raso ao chão, que não se tenha de pé e num pé direito tão alto que lhe caibam todas as palavras empilhadas é um mundo do reverso e do regresso em que ao privilégio absurdo de viver se segue o direito adquirido de sofrer.