Frase de Lilian Seiko Kato
E o que eu faço com as palavras? O que faço com o desejo incontrolável de escrevê-las, de dizê-las? E o que eu faço com as inspirações imprevisíveis? Com a busca incansável por respostas, com o não-contentamento que permanece? O que eu faço com as indagações, suposições, com os pensamentos sempre surgindo, descompassados e ansiosos em serem perpetuados? O que eu faço com a necessidade intermitente de saber, e tornar a saber depois que já se sabe? O que eu faço com a busca pelo eu, pelo eu do outro, e pela "re-busca" e novas buscas do meu ser? Com o desejo de estar sempre buscando o inatingível? O que eu faço com o fato de me tornar cada vez mais introspectiva, vendo que o universo lá fora é bem menor do que o universo interior que cada um carrega? E o quanto é gostoso e viciante descobrir que não se pode chegar ao fim? O que faço com as palavras... todas elas que surgem do nada, e do nada se vão, para depois retornar com mais força? É assim... dias de silêncio, dias de vazio, dias de branco. Dias e dias, dias de buscas, dias de perguntas, dias de respostas, dias de perguntas com respostas, dias de respostas sem perguntas. O que eu faço com as palavras? Eu as deixo livres. Elas são o que são, e eu sou apenas instrumento... apenas mais um instrumento, à espera da próxima reflexão. Do próximo rascunho, do próximo eco, da próxima inquirição.
No pensador.ai desde