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Frase de Manuel Gusmão

Manuel Gusmão Nasceu em Évora em 1945. Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, tendo-se doutorado com a tese sobre a poética de Francis Ponge, em 1987. É professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, desenvolvendo trabalho nas áreas da Literatura Portuguesa, Literatura Francesa e Teoria da Literatura. É membro da Associação Internacional de Literatura Comparada e fundador da Associação Portuguesa de Literatura Comparada. Pertenceu às redacções das revistas “ O Tempo e o Modo” e “ Letras e Artes” e foi colaborador permanente do Jornal “Crítica, entre 1961 e 1971. Foi fundador das revistas Ariane (revue d’études littéraires françaises), que se publica desde 1982, e “Dedalus”, da Associação Portuguesa de Literatura Comparada, desde 1991). É coordenador editorial da revista “Vértice” desde 1988. É tradutor português de poemas de Olivier Cardiot, Christian e Francis Ponge. Vencedor, em 2004, do Prémio D. Diniz, da Fundação Casa de Mateus. Vencedor, em 2005, do Prémio Vergílio Ferreira, atribuído pela Universidade de Évora.

Manuel Gusmão

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Pensador.com

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A velocidade da luz Há uma rotação do teu corpo – Andas pela casa: és um leve rumor sob o silêncio
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A velocidade da luz Há uma rotação do teu corpo – Andas pela casa: és um leve rumor sob o silêncio um rumor que alumia a sombra silenciosa; na sala, o homem quase surdo quase cego ouve-te, julga reconhecer-te: vens aí. Estás aqui. O intervalo de tempo já começou: há uma rotação no teu corpo que me exclui do mundo e entretanto é feita para mim; atinge-me à velocidade da luz. E eu o homem quase surdo quase cego sou tomado pelo vento do fogo que me consome até ser apenas a última brasa: pequenas ravinas de luz o incêndio restante sob a exausta crosta da terra Estavas, estiveste ali. O tempo recomeça. Apareces e desapareces. Como a luz do farol disparando no céu sobre as casas ou como o anúncio luminoso do prédio em frente que varre intermitente a obscuridade do quarto no filme. Quando voltará? É como se soubesses que voltará, sim, e que não, não poderá voltar. Quando, e se voltar, serei eu talvez quem já lá não está. Quando é quando? Quanto tempo ainda poderá o mundo voltar à possibilidade dessa forma? Manuel Gusmão In: Teatros do Tempo, Editorial Caminho, 2001