Frase de Dailan Pereira
Tantos autores reconhecidos e famosos eram idolatrados por criarem histórias fictícias, onde o eu lírico narrava a vida como uma trama leve ao seu desenrolar, mas isso... não o atraía. Fora a realidade, o vazio, a tristeza e a natureza errante de Bukowski que prendera a atenção. Em uma das curtas narrativas ele se reconheceu. Não que aquilo lhe fosse surpreendente, o autor, que transpassava seus tropeços em poesias melancólicas sempre o tocava. Mas, dessa vez, foi diferente! Era uma ideia corrompida de uma breve história que pregava um romance banal, uma literatura de estética crua e repleta de diálogo frio e baixo calão. Talvez, aquilo bastasse para o autor, a ideia era refletida como ele bem quisera... personagens sem expectativas, reféns da sociedade capitalista que gerava ganhadores e perdedores. Chamava-se “Numa Fria”, e, de um modo não atraente, falava do amor. Quem contrariaria a ideia de que amar é “entrar numa fria”, quando todos alguma vez na vida se decepcionaram ao amar? O amor em certas ocasiões destrói, entretanto, mesmo com estes efeitos colaterais sempre o buscamos. Possa ser esta a hipocrisia do livre arbítrio. Era um poema de um trecho desta mesma narrativa que dizia: “Esse diviníssimo acidente nos reuniu, juntou, mesmo que você seja barro e eu carne... nós nos tocamos. De algum modo nos tocamos”. Eu estava acostumada com trechos de romancistas, mas compreendi sua maneira de ser recíproco. E em resposta à isso, deixo-lhe também uma frase: “Se o homem pode fazer apenas uma pessoa feliz durante toda uma vida, então sua vida foi justificada”. Éramos duas almas perdidas e então... nos encontramos.
No pensador.ai desde