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Frase de Vinicius de Moraes

Invocação à mulher única Tu, pássaro – mulher de leite! Tu que carregas as lívidas glândulas do amor acima do sexo infinito Tu, que perpetuas o desespero humano – alma desolada da noite sobre o frio das águas – tu Tédio escuro, mal da vida – fonte! jamais... jamais... (que o poema receba as minhas lágrimas!...) Dei-te um mistério: um ídolo, uma catedral, uma prece são menos reais que três partes sangrentas do meu coração em martírio E hoje meu corpo nu estilhaça os espelhos e o mal está em mim e a minha carne é aguda E eu trago crucificadas mil mulheres cuja santidade dependeria apenas de um gesto teu sobre o espaço em harmonia. Pobre eu! sinto-me tão tu mesma, meu belo cisne, minha bela, bela garça, fêmea Feita de diamantes e cuja postura lembra um templo adormecido numa velha madrugada de lua... A minha ascendência de heróis: assassinos, ladrões, estupradores, onanistas – negações do bem: o Antigo Testamento! – a minha descendência De poetas: puros, selvagens, líricos, inocentes: O Novo Testamento afirmações do bem: dúvida (Dúvida mais fácil que a fé, mais transigente que a esperança, mais oporturna que a caridade Dúvida, madrasta do gênio) – tudo, tudo se esboroa ante a visão do teu ventre púbere, alma do Pai, coração do Filho, carne do Santo Espírito, amém! Tu, criança! cujo olhar faz crescer os brotos dos sulcos da terra – perpetuação do êxtase Criatura, mais que nenhuma outra, porque nasceste fecundada pelos astros – mulher! tu que deitas o teu sangue Quando os lobos uivam e as sereias desacordadas se amontoam pelas praias – mulher! Mulher que eu amo, criança que amo, ser ignorado, essência perdida num ar de inverno. Não me deixes morrer!... eu, homem – fruto da terra – eu, homem – fruto da carne Eu que carrego o peso da tara e me rejubilo, eu que carrego os sinos do sêmen que se rejubilam à carne Eu que sou um grito perdido no primeiro vazio à procura de um Deus que é o vazio ele mesmo! Não me deixes partir... – as viagens remontam à vida!... e por que eu partiria se és a vida, se há em ti a viagem muito pura A viagem do amor que não volta, a que me faz sonhar do mais fundo da minha poesia Com uma grande extensão de corpo e alma – uma montanha imensa e desdobrada – por onde eu iria caminhando Até o âmago e iria e beberia da fonte mais doce e me enlanguesceria e dormiria eternamente como uma múmia egípcia No invólucro da Natureza que és tu mesma, coberto da tua pele que é a minha própria – oh mulher, espécie adorável da poesia eterna! Rio de Janeiro, 1938 in Novos Poemas in Antologia Poética in Poesia completa e prosa: "A saudade do cotidiano"

Vinicius de Moraes

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Pensador.com

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Acorde arrependido, mas não morra na vontade, a vida passa muito rápido para você se privar, estamos aqui para aprender e experimentar gostos e sensações novas, aproveite enquanto você tem energia,porque não adiantará de nada você mais tarde ter a mesma vontade e não puder mais realizá-la.

Rua Nascimento Silva, cento e sete você ensinando pra Elizete as canções de canção do amor demais
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Rua Nascimento Silva, cento e sete você ensinando pra Elizete as canções de canção do amor demais lembra que tempo feliz, ai, que saudade Ipanema era só felicidade, era como se o amor doesse em paz Nossa famosa garota nem sabia a que ponto a cidade turvaria esse Rio de amor que se perdeu Mesmo a tristeza da gente era mais bela e além disso se via da janela um cantinho de céu e o Redentor É, meu amigo, só resta uma certeza é preciso acabar com essa tristeza é preciso inventar de novo o amor nossa famosa garota nem sabia a que ponto a cidade turvaria esse Rio de amor que se perdeu mesmo a tristeza da gente era mais bela e além disso se via da janela um cantinho de céu e o Redentor É, meu amigo só resta uma certeza é preciso acabar com essa tristeza é preciso inventar de novo o amor