Frase de Flávia Thaysa
Impeachment e Tirandentes E, nessa noite nem um pouco gélida, No meio das minhas lembranças mais fétidas, E das minhas decisões mais éticas, Eu selo o meu destino. Eu decido desamargurar o meu coração, Lembrar de quando ele era um doce menino, Que, no meio de toda sua inexperiência, se achava traquino, E em toda sua ingenuidade se jogava nas histórias de sol a pino. Nem todo mundo que se joga quer se queimar, A pessoa nem sabe pra onde remar E se perde na vida como em um mar O que era verdade, verdade mais não é, O que era duvidoso, Nas línguas de nossos pais Resolve chutar o balde e se tornar respeitoso E os ideais, tão cheios de bem-me-quer, vão rolando ladeira abaixo, assim como a cabeça de Joaquim José da Silva Xavier Homem valente, de sangue quente Que, mesmo com seu destino descontente, Deixou toda uma geração de justiça efervescente Você há de dizer que eu, por ser jovem, me ponho a sonhar Mas, eu digo que, você, por ser maduro, é que se põe a lamentar E passa a rastejar Ao invés de voar A vida passa, a maturidade mostra as dificuldades, Mas não deixe a idade Acabar com a vitalidade Siga o exemplo do nosso Tiradentes, Que, mesmo perdendo bem mais que os dentes, Desaflorou seus sonhos mais ardentes E, com isso, calou a boca e encheu de esperança o coração de um montão de gente E, mesmo nesses tempos de decadente democracia Não vamos deixar nossa covardia Permitir, diante dos olhos, a mais perigosa selvageria Que confunde e faz parecer um jogo de loteria, A luta pela cidadania! A que usa a arma mais poderosa: a lubridiação do povo, que, em polvorosa, Não enxerga a realidade horrorosa A realidade que não densora só a memória do nosso Tiradentes, Mas o senso crítico de toda essa gente. Avante, vamos à luta! Que não é qualquer falcatrua, Que vai fazer a nação ser tua. Eu posso perder uma eleição, Uma votação, Ou até mesmo uma constatação, Mas eu não abandono minha razão, Muito menos meu sangue de cidadão!
No pensador.ai desde