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Frase de Rainer Maria Rilke

Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações?

Rainer Maria Rilke

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Pensador.com

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Outras frases de Rainer Maria Rilke

Quem foi que assim nos fascinou para que tivesse um olhar de despedida em tudo o que fazemos.
A Gazela Mágico ser: onde encontrar quem colha duas palavras numa rima igual
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A Gazela Mágico ser: onde encontrar quem colha duas palavras numa rima igual a essa que pulsa em ti como um sinal? De tua fronte se erguem lira e folha e tudo o que és se move em similar canto de amor cujas palavras, quais pétalas, vão caindo sobre o olhar de quem fechou os olhos, sem ler mais, para te ver: no alerta dos sentidos, em cada perna os saltos reprimidos sem disparar, enquanto só a fronte a prumo, prestes, pára: assim, na fonte, a banhista que um frêmito assustasse: a chispa de água no voltear da face.

O Anjo Com um mover da fronte ele descarta tudo o que obriga, tudo o que coarta,
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O Anjo Com um mover da fronte ele descarta tudo o que obriga, tudo o que coarta, pois em seu coração, quando ela o adentra, a eterna Vinda os círculos concentra. O céu com muitas formas Ihe aparece e cada qual demanda: vem, conhece -. Não dês às suas mãos ligeiras nem um só fardo; pois ele, à noite, vem à tua casa conferir teu peso, cheio de ira, e com a mão mais dura, como se fosses sua criatura, te arranca do teu molde com desprezo. (Tradução: Augusto de Campos)

(...)Amar também é bom:porque o amor é difícil. O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta,a maior e última prova,a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação. Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo,…
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(...)Amar também é bom:porque o amor é difícil. O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta,a maior e última prova,a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação. Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo,não sabem amar: tem que aprendê-lo. Com todo o seu ser,com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário,medroso e palpitante,devem aprender a amar.Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura. Assim, para quem ama,o amor,por muito tempo e pela vida afora,é solidão, isolamento cada vez mais intenso e profundo.O amor, antes de tudo,não é o que se chama entregar-se,confundir-se, unir-se a outra pessoa.Que sentido teria, com efeito,a união com algo não esclarecido,inacabado, dependente? O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer,tornar-se algo em si mesmo,tornar-se um mundo para si,por causa de um outro ser;é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz,uma escolha e um chamado para longe. (...)Creio que aquele amor persiste tão forte e poderoso em sua memória justamente por ter sido sua primeira solidão profunda e o primeiro trabalho interior com que moldou a sua vida.(...) (Cartas a um jovem poeta)