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Frase de Lucci Santz

Ela sempre foi movimento. Casa girando em torno dela. Mão que fazia, boca que orientava, olho que via tudo. Era dessas mulheres que acordam antes do sol e dormem depois da vida. Sabia onde estava cada coisa. Cada conta. Cada remédio. Cada problema. Ela era memória viva da família. Era calendário, era agenda, era conselho. E agora… O tempo resolveu brincar ao contrário. O nome das coisas escapa. Os rostos às vezes embaralham. As histórias ficam pela metade. Mas tem uma coisa que não foi embora: a essência. O jeito de segurar a mão. O olhar que ainda procura cuidado. A doçura que aparece em lampejos. O Alzheimer não apaga quem ela foi. Ele embaralha caminhos, mas não destrói o que foi construído em décadas de força. Existe uma inversão silenciosa: quem foi porto vira mar aberto. Quem guiava agora precisa ser guiada. E dói. Dói porque a gente lembra de tudo. E ela… às vezes não. Mas amar alguém com Alzheimer é aprender outra língua. É repetir sem irritação. É contar a mesma história como se fosse a primeira vez. É segurar firme quando o mundo dela fica confuso. Ela continua sendo a minha mãe. Mesmo quando não sabe dizer seu nome. E talvez agora o papel seja meu: ser memória por duas, ser paciência por duas, ser colo por duas. O corpo pode esquecer. Mas o amor não desaprende. E isso, ninguém tira dela. Nem de mim.

Lucci Santz

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Tem amores que começam numa conversa despretensiosa e, quando você percebe, já mudaram o lugar onde o coração morava.