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Frase de Léia C. Souza Lima

Entre Caminhos e Ausências As ruas se despedem com asfalto desgastado, fendas que guardam sementes de ventos antigos, que levaram meus passos além do que os olhos alcançavam — ruas de calçada quebrada, onde o mato já vem tomando espaço que outrora foi de gente, de voz, de mão estendida. Cada beco é um suspiro congelado no tempo, cada esquina um nó de memórias que não se desatam, e eu caminho sobre elas como quem pisca em sonhos, sentindo o eco de passos que não são mais meus, mas que deixaram na terra um cheiro de café forte, de panos estendidos no sol, de risos quebrados em gritos. Mas as ruas acabam onde as estradas começam a correr, longas como esperanças, retas como promessas não cumpridas, cobrindo vales e planícies com seus braços de asfalto ou terra, pulando rios com pontes que gemem ao passar o vento, escalando colinas com curvas que desafiam o coração. Elas vão até onde a vista se perde na linha do horizonte, onde o verde se torna mais denso, onde o som do homem se esfuma, onde só o bater das asas de aves solitárias quebra o silêncio que pesa como manta de pedra. Essas estradas não têm nomes em mapas velhos, elas são feitas de vontade, de paciência, de dor, de quem busca o que está além do que se pode tocar, além do que se pode explicar com palavras comuns. E o céu — ah, o céu é o mesmo em todo lugar, mas aqui, longe de tudo, ele parece mais próximo, mais vasto, mais cheio de segredos guardados nas nuvens. Nuvens que se transformam em montanhas de vapor, que correm atrás das montanhas de rocha e pedra, que erguem seus cumes até tocar a borda do azul, cubertos de neve branca como penas de cisne, ou de musgo verde escuro como lágrimas secas. Esses lugares de difícil acesso, onde os caminhos se perdem, onde não há trilha marcada, nem som de porta batendo, onde só a terra sabe o peso dos passos que lá passaram, onde a quietude é tão profunda que se ouve o coração bater. Lugares vazios de gente, mas cheios de vida selvagem, de árvores que conversam com o vento toda noite, de riachos que contam histórias de montanha para o mar. Mas em meio a tanta vastidão, a saudade vem como uma onda, me prendendo ao peito como um frio que não passa. Queria sentir um abraço quente, aquele que aquece até os ossos, queria olhar aquele sorriso lindo que faz o mundo parar, que transforma qualquer deserto em jardim florido, que faz até as montanhas baixarem a cabeça em reverência. Essa distância é um rio que não tem ponte, mas cada estrela no céu é um olhar que me vê, cada vento que sopra é um beijo que chega até mim, e eu guardo tudo isso como tesouro no peito, até que um dia os caminhos nos levem de volta um ao outro.

Léia C. Souza Lima

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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