Frase de Rafael Kozechen
AMARÉ Passo a vida em mar aberto — às vezes calmo, ora tempestade sem aviso. Mesmo com medo de ondas altas, há um receio ainda maior: te perder em meio à extensa praia, mesmo estando tão longe do perigo. Ambos precisamos sempre tocar com os pés no fundo. Como quem esquece que já aprendeu a nadar... Por que ainda nos sentimos tão inseguros? Quando o vento nos empurra e o corpo, num súbito, mergulha, buscamos um porto seguro onde seja possível atracar. Mas não tem jeito — mesmo à deriva, só há uma alternativa. Há momentos em que o coração nos convida a saltar, por mais turbulento que o meu mar possa estar. E, em meio à queda, a pergunta: Você não vem? Mesmo sabendo que pode doer, que depois de tanto esforço ainda podemos nos afogar, te convido a seguirmos juntos — nem que seja até uma próxima enseada. E se lá também houver tempestades, que ao menos sejamos abrigo um no outro, pelo tempo que escolhermos estar. E se houver calmaria, que saibamos aproveitar a dádiva de flutuar sem medo. Porque amar, no fim, é escolher mergulhar — mesmo sem saber, ao certo, em que profundidade podemos chegar.
No pensador.ai desde