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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

FORMAS E FÔRMAS DE APRENDER Demétrio Sena, Magé – RJ. As crianças amadurecem brincando; sendo alegres; fazendo aquilo que lhes apraz. Admirando a leveza de seres e coisas. Apreciando os desempenhos fáceis; as soluções simples. Quando crescem um pouco, passam a ser assediadas pelos discursos de que só o sofrimento amadurece. Tão só a dor ensina. Só os percalços as tornarão fortes e as providências burocráticas resolverão a contento suas futuras pendências. É bem verdade que o sofrimento, as dores e os percalços podem amadurecer, ensinar e fortalecer as pessoas, mas isso não é obrigatório. Muita gente sofre os diabos e continua imatura. Tem dores inimagináveis e não aprende nada. Enfrenta os mais duros percalços e continua fraca; em todos os sentidos. Ao mesmo tempo muita gente vive bem, com poucos problemas, quase não convive com dores, tem poucos percalços e mesmo assim amadurece, aprende, se torna forte. São pessoas que sabem aprender. Que observam a vida, o mundo e o sofrimento alheio. Foram ensinadas, quando crianças e adolescentes, a não ser egoístas; pensar no próximo; amar e fazer o bem; respeitar diferenças, escolhas e orientações pessoais... simplificar o que pode, para o mundo ficar mais leve. Há formas e fôrmas de aprender. De fazer o melhor e o pior das vivências; dos ensinamentos que se recebe da vida e dos mais experientes. Ninguém há de sofrer por escolha própria, chamar para si as dores e as intempéries, para tão somente aprender e se tornar um bom ser humano. Tornar as coisas complexas, burocráticas e difíceis para só aí valorizá-las é estupidez. Já existe muito sofrimento em derredor. Muita gente que precisa de ajuda e de conselhos; de compreensão e solidariedade. De facilidades possíveis às relações interpessoais e resoluções de problemas. Podemos aprender muito, e crescer infinitamente, fazendo algo pelo próximo. Isso é bom para ele, para nós, porque soma na construção de um mundo melhor. Uma sociedade mais justa; igualitária; mais próxima do ideal. Chavões não podem mudar o mundo. Atitudes podem. Os discursos valem bem pouco. Inclusive o discurso que os seus olhos percorrem neste momento, se não existir ação. Se nenhuma intenção real de seguir as próprias admoestações acompanhar o discurso e, se tudo for transformado em equações complexas propositais. A sociedade já está (in)devidamente cheia de arrogância, hipocrisia e má vontade.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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Pensador.com

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.