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Frase de Nelson Rodrigues da Costa

⁠Deusa (In) justiça Túnica branca, quase negra, a Deusa espreita por baixo da venda. No decote, o vil metal brilha, e a balança cede ao peso de risos. Nas sombras da lei, dançam os hábeis, tecendo subterfúgios como teias emaranhadas, obstruindo os caminhos da justiça, colocando pedras na engrenagem do ser. Os defensores não defendem; evadem a justiça de qualquer jeito possível, onde a verdade se perde em palavras vazias, e a inocência é um jogo, não uma luz. O tempo, nos tribunais, gasta-se em voltas lentas, como quem espera o mar secar. O réu, cheio de poder e ouro, ri-se no escuro, onde os seus passos não fazem eco. Com cada manobra, o tempo se estica, os processos arrastam-se como fardos pesados, enquanto o réu sorri, a justiça, refém de artifícios. Os outros, pobres diabos, arrastam-se pelas pedras da espera, respirando poeira e esperança gasta. Aqui, ninguém paga a fatura, resta esperar pela justiça divina. E assim, a balança pende, não pelo peso da justiça, mas pela habilidade de quem sabe jogar, de quem faz da lei um jogo de cartas.

Nelson Rodrigues da Costa

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Pensador.com

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Veem-me cinzento. Mas não é por falta de cor — é por não pintarem devagar.
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Veem-me cinzento. Mas não é por falta de cor — é por não pintarem devagar. Não sou o que mostro. Sou o que seguro para não cair. O que calei para não ferir. O que deixei por dizer para não gastar palavras em vão. Aprendi a vestir sombras com a dignidade de quem sabe que até a noite tem camadas. Ergui castelos no ar com mapas rasgados. Com linhas tortas, sim, mas desenhadas com silêncio aceso. Não procuro a luz para brilhar… prefiro arder por dentro a que me apontassem o fogo. E quando me tentam convencer falsamente que o mundo é preto ou branco, guardo as cores no bolso. Não para esconder — mas para aqueles que as querem mesmo ver. Sou feito de todas as coisas que não se veem à primeira. De silêncios que gritam. De memórias que ainda não aconteceram. De palavras que nasceram antes da boca. Não preciso de ser lido. Mas se me lerem, que não me distorçam. Procurem a cor, não as trevas. As que tremem. As que resistem. As que sou.

⁠Jamais existirá despedida entre autênticos irmãos. Os verdadeiros não são apenas presença material, mas também espiritual. Esculpidos no mais profundo sentimento da alma, talhados no núcleo do coração.
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⁠Jamais existirá despedida entre autênticos irmãos. Os verdadeiros não são apenas presença material, mas também espiritual. Esculpidos no mais profundo sentimento da alma, talhados no núcleo do coração. Não importa a distância ou circunstância, nunca será um até sempre, mas um até mais.

⁠ O Poeta Voador Dizem que a dor e o amor fazem o poeta.
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⁠ O Poeta Voador Dizem que a dor e o amor fazem o poeta. Dois lados de uma mesma moeda, que ora dá cara ora da coroa. Fica a bipolaridade ora feliz ora triste... consistentemente insatisfeito. Mas de quem é o problema? Do que ama ou do amado? No fundo do que sofre, porque sonha voar mais alto com asas frágeis e cansadas. Enquanto planeia no alto reza que a esperança não esmoreça, que a nuvem sustente o palácio onde reside o seu espírito lutador...