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Frase de NandaaGoncalves

[Sem destinatário, como quem escreve para o passado] Hoje, ao sair do trabalho, aconteceu algo que me fez parar — não nos pés, mas por dentro. Era fim de tarde, e o sol estava daquele jeito bonito que quase dói de tão calmo. Havia uma brisa fria, suave, dessas que avisam que o dia está acabando. E no ar, aquele burburinho da Copa do Mundo… buzinas, bandeiras, gente sorrindo sem nem saber por quê. E foi aí que eu vi você. Virando a esquina, como se o tempo tivesse dado uma volta só para te trazer de volta por um segundo. Nas mãos, um buquê de rosas. No rosto, aquele sorriso que eu nunca consegui esquecer — metade alegria, metade mistério. Por um instante, tudo parou. O barulho do mundo se calou, e eu fui tomada por uma lembrança tão viva que doeu como se fosse agora. Mas era só isso mesmo: lembrança. Você não estava ali. Nunca esteve. Foi só o reflexo de uma saudade antiga, de um gesto que talvez eu quisesse ter recebido, ou talvez tenha mesmo vivido… e perdi. Fiquei ali parada, como quem espera algo que sabe que não vem. E percebi que, por mais que o tempo siga em frente, tem esquinas que a gente nunca desvira. Com carinho e silêncio, [Assinado, talvez por mim mesma]

NandaaGoncalves

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Pensador.com

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Chá de laranja Estou gripada de novo, lençóis frios, nariz cansado,
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Chá de laranja Estou gripada de novo, lençóis frios, nariz cansado, e nessa febre que arde em silêncio me lembro do teu cuidado. Você fazia um chá de laranja com um jeito que só você tinha. Nem era só o sabor, era o calor da tua mão na cozinha. Era doce, era forte, era cura, e eu, doente, me rendia. Hoje faço igual, passo a receita, mas nunca fica como naquele dia. Falta o modo como mexia a colher, a pausa pra ver se estava bom, o carinho que você punha antes de me entregar na xícara o dom. Agora, só sobra o silêncio e a saudade em infusão. O chá não cura, só lembra o gosto da tua proteção.

Encontro em Silêncio Cruzei teu caminho, sem aviso, os olhos se tocaram, indecisos…
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Encontro em Silêncio Cruzei teu caminho, sem aviso, os olhos se tocaram, indecisos… e o tempo, cúmplice, desacelerou, como quem insiste em eternizar um adeus. Teus cabelos negros, em suaves espirais, os lábios entreabertos, quase um sinal… os olhos castanhos, profundos demais, e eu… me vi neles, frágil, mortal. Por um instante, meu peito incendiou, a chama antiga, que ainda respirava, mas o passado, cruel, logo soprou… e o fogo, sem força, se apagava. O tempo então retomou seu compasso, meu coração, trêmulo, quis te chamar, mas restaram só lágrimas, em silêncio escasso, e a mentira que tentei me contar: — "Isso é passado." Mas quem eu quero enganar… se teus olhos ainda sabem me quebrar?

Retratos que sangram As horas sussurram nomes antigos, ecos que dançam na bruma da mente,
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Retratos que sangram As horas sussurram nomes antigos, ecos que dançam na bruma da mente, vestígios de dias já idos, que o tempo levou… lentamente. Há risos que ainda se escondem nos cantos, e passos que o chão já não guarda, rostos sumindo em retratos cansados, num tempo que nunca mais tarda. Tocava teu nome com dedos de sol, num mundo onde o céu era perto, agora só vejo o vulto do ontem, num espelho partido e deserto. As lembranças vêm como maré, invadem, consomem, machucam, e eu, náufrago de mim mesmo, nas ondas do que já foi, me afundo e sucumbo. Se pudesse, voltava no tempo, pra dizer o que o silêncio calou, mas memórias não têm retorno… só cicatrizes que o peito guardou.

⁠Vestígios de Nós Havia sol nos teus olhos, mesmo quando o céu desabava.
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⁠Vestígios de Nós Havia sol nos teus olhos, mesmo quando o céu desabava. Teu riso era abrigo, onde minha dor se calava. Andávamos entre promessas com a leveza dos que acreditam. Mãos dadas, almas nuas, no silêncio em que os corações gritam. Mas o tempo, esse ladrão discreto, roubou os minutos mais doces. E o que era eterno em nós se perdeu em caminhos tão tolos. Guardei tuas cartas no peito, com cheiro de tardes antigas. E às vezes, sem que eu queira, meus sonhos ainda te digam. Não por falta de amor, mas por excesso de destino, fomos dois versos soltos, no meio de um mesmo hino. Hoje, te vejo nas esquinas onde a memória se esconde. E amo o que fomos um dia, com a ternura de quem não responde. Porque amar também é deixar, e seguir com cicatrizes sutis. Alguns amores não ficam… mas permanecem — e nos fazem mais gentis.