Frase de Adriano Peralta - Escritor Latinoamericano
MARIA DE CADA UM: Nesta vida e nesta terra, a gente nunca desvia, Do tributo, nem da morte, nem de uma tal MARIA. É MARIA minha mãe, é MARIA nossa tia; é MARIA mãe do Zé, batizado de Zé MARIA. Some a MARIA prefeita, a MARIA calada, a MARIA imperfeita, a suspeita e a desbocada. E neste ambiente latino, em cada canto pari um menino, filho de dona MARIA, cujo pai nem imagino. É tanta MARIA no mundo, que é impossível viver sem elas; cada qual com sua história, sua sina e sua glória. E o nome se complementa: MARIA das Dores, MARIA dos Remédios, MARIA Benta; MARIA Bonita, MARIA do Socorro, MARIA do Bairro e MARIA do Morro. Penso que na cabeça, trabalham várias MARIAS: uma que nos ensina, outra que nos consola, e mesmo a que nos fascina, ao tempo em que nos enrola. Um caso de amor ligeiro, foi com MARIA do norte; despediu-se de Raimundo, em seu caminhão de transporte; foi se embora pra Guaianazes, e de lá não teve retorno, deixando a pobre MARIA, abandonada com a prole no forno. Não dá pra entender os fatos, por vezes, não faz sentido; a matemática dos atos, não se apura como devido; o que é de ruim não se apaga, e que é bom não se soma; a mão que afaga é a mesma que toma. A vida é feita de pouca lógica e muitas MARIAS, excesso de lutas, com escassas alegrias.
Adriano Peralta - Escritor Latinoamericano
No pensador.ai desde