Frase de Leonardo Horta
{O Mar} Sou mar, sou água e sou sal, sou só e sou frio. Sou mar, sou água da dor, deserto de amor, trago a vida e a morte, trago destino e a sorte. Quantas embarcações, meu Deus quantas. Se foram em minhas águas, levaram vidas lavadas, nas águas da triste sorte, fui eu quem lhes trouxe à morte. Me lembro daquele barco, o primeiro que navegou, lembro de o ter levado, nas águas, que se afogou, lembro de ter marcado, tais águas com mui ardor, lembro de ter partido, suas velas levantou, foi-se ao sabor do vento, foi-se e me deixou. Veio o segundo barco, veio ao natural, levei-lo por minhas águas, viagem comercial, foi vazio e indiferente, foi naufrágio, pois fui ausente. A terceira embarcação, foi em meio à um tufão, turbulenta a viagem, marcante de emoção, mas eu mesmo o afundei, pelo que me agitei, não vi-lo à naufragar, pois o vento à soprar, minhas ondas à agitar, não me deixei de encapelar, o vento então cessou, já nada posso fazer, apenas optar, por lembrar ou esquecer. Hoje vejo outro barco, que navega sobre mim, vou-lhe deixar ir, para não trazer lhe o fim. Muitos se foram, não mais estão à navegar, estão dentre as águas, são memórias à recordar. Não mais quero ser mar, agora quero navegar, não importa que eu afunde, quero dentro em ti estar. Como mar serei só, pois não te quero naufragar, antes ver-te no cais, apenas à margear. Assim prossigo, sempre frio, só com o vento à papear, não olhe a ilusória calma, pois é triste a sorte do mar.
No pensador.ai desde