Frase de Pedro Correia Fernandes
Confesso que amei. Amei, como quem ama pimenta, como quem ama cachaça, como quem ama uma boa fritada de jiló. E também amei, como quem ama a beleza das flores e das crianças. E, ainda hoje, eu amo. E mais intensamente do que nunca. Porque o amor, na vivência humana, ou fenece, ou amadurece. Afinal, os anos pesadamente empilhados devem servir a algum propósito. Porque o amor envelhecido deve ser como um amor infantil, puro. Afinal, só podemos reencontrar a pureza se nos despojarmos. E regredirmos à nossa essência. O mais puramente essenciais e despojados que pudermos nos tornar. Como uma criança. Porque mesmo o mais temido bandido já foi um bebê, amado, trocado, amamentado, cuidado, por alguém. Apenas perdeu isso ao longo do caminho. Todos perdemos, ao longo do caminho. E quem não encontrar esse caminho de volta será apenas amargurado. Confesso que ainda amo.
No pensador.ai desde