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Frase de Álvaro Feijó

Quando eu morrer - e hei-de morrer primeiro do que tu - não deixes fechar-me os olhos meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos e ver-te-ás de corpo inteiro como quando sorrias no meu colo. E, ao veres que tenho toda a tua imagem dentro de mim, se, então, tiveres coragem, fecha-me os olhos com um beijo. Eu, Marco Pólo, farei a nebulosa travessia e o rastro da minha barca segui-lo-ás em pensamento. Abarca nele o mar inteiro, o porto, a ria... E, se me vires chegar ao cais dos céus, ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus. II Não um adeus distante ou um adeus de quem não torna cá, nem espera tornar. Um adeus de até já, como a alguém que se espera a cada instante. Que eu voltarei. Eu sei que hei-de voltar de novo para ti, no mesmo barco sem remos e sem velas, pelo charco azul do céu, cansado de lá estar. E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação. E não quero que chores para fora, Amor, que tu bem sabes que quem chora assim, mente. E, se quiseres partir e o coração to peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino.

Álvaro Feijó

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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“Quando eu morrer – e hei-de morrer primeiro do que tu – não deixes fechar-me os olhos meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos e ver-te-ás de corpo inteiro como quando sorrias no meu colo. E, ao veres que tenho toda a tua imagem dentro de mim, se, então, tiveres coragem, fecha-me os olhos com um beijo.”