Frase de Nara Juscely Minervino de Carvalho Marcelino
CHUVINHA FININHA Chuvinha fininha que desce fraquinha, Vais com cautela, mas sem muita espera, Diz ao meu amor que aqui onde estou Está bem friozinho, e eu, tão sozinho, Esperando o calor de quem me jogou Na rede que encanta e chamego balança. Chuvinha fininha que desce fraquinha, Molhas aos pouquinhos o meu jardinzinho De flores que enfeitam o meu corpo de gueixa E cujos perfumes provocam ciúmes. Quando tu molhares as minhas plantinhas, Molhas com carinho, pois elas são minhas Melhores amigas, de noite e de dia, Pra quem confidencio os meus arrepios. Chuvinha fininha que desce fraquinha, Tu estás chorando ou estás reclamando? Por que tu lamentas, se lento arrebentas As armas mais duras e mais carrancudas De alguns corações que fogem de furacões? Te acalmas, chuvinha, não chores assim, Desde outro dia, em que leve caías, Há tantos jardins, com perfumes sem fins, Que têm ressurgido nesse mundo perdido, Carente de amor e de bem mais calor. Tuas águas tranquilas, mas bem destemidas, Uniram pessoas que estavam à toa No meio da rua, passando outra chuva. Pra dentro dos lares as gentes mandastes Ficarem juntinhas e agarradinhas Nos ninhos de amor que tua chuva formou. Chuvinha fininha que desce fraquinha, Não chores assim, se fizestes a mim E a tantas pessoas, com tuas garoas, Um bem tão danado e tão desejado: Amar uns aos outros sem nenhum esforço E ser muito amados e pra sempre lembrados. Nara Minervino.
Nara Juscely Minervino de Carvalho Marcelino
No pensador.ai desde