Frase de Maria Riber
Era um dia que começou com promessas. Acordei cedo, animada, com a cabeça fervilhando de planos. Tudo parecia possível; tantas ideias, tantas possibilidades, como um céu limpo ao amanhecer. Mas, no meio disso tudo, esqueci de um detalhe pequeno, porém imenso: eu não controlo as situações. O mundo, com sua ironia suave, decidiu me lembrar disso. Nada saiu como esperado. Um por um, os planos desmoronaram, como castelos de areia levados pela maré. A irritação veio, quente e amarga, queimando por dentro. Por que tudo tinha que ser assim? Mas, entre a raiva e a frustração, algo em mim cansou de lutar contra o inevitável. Foi então que decidi mudar de ritmo e de perspectiva. Troquei de roupa, como quem troca de alma, e fui tomar um café. Levei minha mãe comigo, e naquela simplicidade, encontrei algo que não sabia que procurava. Conversamos como há tempos não fazíamos, nossas palavras misturando-se ao vapor quente das xícaras. O tempo, que antes parecia inimigo, se tornou aliado, nos envolvendo em um momento que só existia porque os planos falharam. Olhando para fora, vi a vida que não segue nossos scripts: o balançar das árvores, o voo incerto de um pássaro. Tudo parecia estar exatamente onde deveria estar. Percebi, então, que o controle é uma ilusão, e que há beleza em aceitar o improviso do mundo. Às vezes, as falhas são portas disfarçadas. Às vezes, os desvios nos levam a paisagens que jamais encontraríamos no caminho planejado. E, enquanto o dia que não aconteceu seguia seu curso, percebi que, mesmo assim, ele se tornou algo maior: um dia vivido. Há males, talvez, que realmente servem para o bem.
No pensador.ai desde