Frase de A elegância do ouriço
"Eu só desejava uma coisa: que me dexassem em paz, que não exigissem muito de mim ..."
No pensador.ai desde
"Eu só desejava uma coisa: que me dexassem em paz, que não exigissem muito de mim ..."
No pensador.ai desde
Mas tudo veio em sua hora... Tudo vem na hora certa pra quem sabe esperar...
"Por alguma obscura razão, Colombe, que não tem um pingo de discernimento, compreendeu que o que eu mais detesto na vida é barulho. Acho que fez essa descoberta por acaso. Nunca teria lhe vindo à cabeça espontaneamente que alguém possa precisar de silêncio. Que o silêncio sirva p…
"Por alguma obscura razão, Colombe, que não tem um pingo de discernimento, compreendeu que o que eu mais detesto na vida é barulho. Acho que fez essa descoberta por acaso. Nunca teria lhe vindo à cabeça espontaneamente que alguém possa precisar de silêncio. Que o silêncio sirva para ir ao interior, que seja necessário para os que não estão interessados apenas na vida exterior, não creio que seja algo que ela consiga entender, porque seu interior é tão barulhento quanto o exterior da rua. Mas, em todo o caso, ela entendeu que eu precisava de silêncio, e, por desgraça, meu quarto fica ao lado do dela.
Esses instantes em que se revela a trama da nossa existência, pela força de um ritual que reconduziremos com mais prazer ainda por tê-lo infringido, são parênteses mágicos que deixam o coração à beira da alma, porque, fugaz mas intensamente, um pouco de eternidade veio de repente…
Esses instantes em que se revela a trama da nossa existência, pela força de um ritual que reconduziremos com mais prazer ainda por tê-lo infringido, são parênteses mágicos que deixam o coração à beira da alma, porque, fugaz mas intensamente, um pouco de eternidade veio de repente fecundar o tempo. Lá fora o mundo ruge ou dorme, as guerras se inflamam, os homens vivem e morrem, as nações perecem, outras surgem e em breve serão tragadas, e em todo esse barulho e todo esse furor, nessas erupções e nessas ressacas - enquanto o mundo vai, se inflama se dilacera e renasce -, agita-se a vida humana. Então, bebamos uma xícara de chá.
Passei pelo menos trinta minutos de humor massacrante. E, depois, de repente pensei: mas por que é que eu queria tanto que ela a agarrasse? Por que é que dói tanto quando o movimento não é sincronizado? Não é muito difícil adivinhar: todas essas coisas que passam, que deixamos de…
Passei pelo menos trinta minutos de humor massacrante. E, depois, de repente pensei: mas por que é que eu queria tanto que ela a agarrasse? Por que é que dói tanto quando o movimento não é sincronizado? Não é muito difícil adivinhar: todas essas coisas que passam, que deixamos de ter por um triz e que são perdidas para eternidade... Todas essas palavras que deveríamos ter dito, esses gestos que deveríamos ter feito, esses kairós fulgurantes que um dia seguiram, que não soubemos aproveitar e se afundaram para sempre no nada... O fracasso por um triz... Mas foi sobretudo outra idéia que me veio à cabeça, por causa dos "neurônios-espelhos". Uma idéia perturbadora, aliás, e talvez vagamente proustiana (o que me irrita). E se a literatura fosse uma televisão que nos mostra tudo aquilo em que fracassamos? Bye-bye movimento do mundo! Poderia ter sido a perfeição, e é o desastre. Deveria ser algo que vivêssemos de fato, mas é sempre uma fruição por procuração. E aí pergunto a vocês: por que ficar nesse mundo?