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Frase de Astrid Cabral

Áureos tempos aqueles quando na manhãzinha goiaba colhíamos no cerrado gabirobas ainda vestidas de orvalho. Pés e patas competiam no capim pródigo de carrapichos. Gestos elásticos ultra-rápidos assustávamos insetos e aves. Um séquito de suaves súditos nos seguia em semi-adoração nós, os príncipes daquele feudo. Depois, o asfalto rasgou o campo. Cogumelos de concreto brotaram. Cresceram as crianças e a cidade. Anãs ficaram as árvores aos pés de edifícios colossais. Sumiram pássaros gabirobas araçás. Fim de passeios e piqueniques. Só ficou a fome funda das frutas no vão sem remissão das bocas .

Astrid Cabral

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Minha infância é hoje aquele peixe de prata que me escorregou da mão como se fosse sabão. Mergulho no antigo rio atrás do peixe vadio – Quem viu? Quem viu? Minha infância é hoje aquele papagaio fujão no ar, sua muda canção. Subo nos galhos da goiabeira atrás do falaz papagaio – me segura, me segura senão eu caio.

A vida não tem volta. Sobra o séquito de sombras e uma canção trôpega
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A vida não tem volta. Sobra o séquito de sombras e uma canção trôpega atravessada no peito: espada, rubra espada cravada de mau jeito. Aqueles rapazes esbeltos ai, estrangularam-se nas gravatas da rotina. Ai, crucificaram-se no lenho das doenças. Aqueles rapazes tão belos não fazem mais acrobacias nem discursos inflamados Arrastam chinelos e redes ruminam silêncio amargo. Um dia fui bela, filha, digo a surpreendê-la. Devo provar com retratos o que tem ar de mentira.