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CONSTATAÇÕES (LARA FLORES)
Quem poderá me condenar porque cansei de esperar pelo momento certo,
Pela hora exata, pelo seu desejo de conversar?
Não vai chegar...
Eu sei: Não vai chegar.
E a quem eu quero enganar?!
Pessoalmente? Oportunidade ideal?
As palavras ressoam e é claro que me pergunto:
É mesmo preciso um tempo favorável?
O que tem mais importância:
o modo como é feito ou o assunto?
Não. É necessário predisposição, interesse, empolgação,
Aquele brilho no olhar que vem acompanhado de uma vontade incontrolável.
Porque quem quer mesmo conversar, dialoga até sobre feijão.
Todo o restante é contornável.
Não. Não necessito mais de justificativas.
Sentimento quando é bom, dura.
Amizade verdadeira, fica.
Se o contrário ocorre, então, só deve significar que não existem raízes.
Erro sobre erro. Vazio. Decepção.
Eis que passa da hora da inadiável constatação:
Se é que algum dia tive espaço,
não pertenço mais ao seu coração.
Porque se ainda o fizesse,
O desejo do contato não estaria só em mim.
As palavras também te saltariam à boca e me buscariam,
Insistentes e sem fim.
E se sofrer a ausência calada é o maior desafio,
Quero prometer, aos menos a mim mesma,
Que estas são as últimas lágrimas que correrão.
Não. Você errou: eu não sou para aventuras.
Nem pra ser usada, esquecida e abandonada, quando não representar mais diversão.
Eu amo, penso, sinto, espero, me preocupo, sou humana.
Mulher por inteiro, de carne e osso, não de papelão.
Não sou perfeita, sei que não.
Mas reconheço que mereço mais:
Mais carinho, amizade e atenção.
Mas desisti desta busca,
porque entendo também que não vou ter.
Pelo menos de você não.
Vá, voe, siga, divirta-se com seu valioso "boralá",
Com quem ou quantos "quens" desejar.
Se os beijos sempre serão tão apaixonados como os meus, não posso mesmo te precisar.
Mas lembre-se apenas disto:
Melhor do que estou hoje, garanto que me verá.