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Frase de Jefferson Schroeder

O pai dele estudava ali perto da igreja e ele ia junto. A mãe já falecida deixara os dois no apartamentinho de aluguéis atrasados. Conforme os anos iam passando ele ia ganhando mais confiança para andar pela faculdade. Primeiro sentava no corredor onde recebia cafunés dos professores de contabilidade, depois ganhou a cantina com a televisão de som baixo, e mais pra frente o jardim. Roçando a sola do tênis nas pedras úmidas notava sempre uma luz acesa no prédio do outro lado da rua, apenas isso. Por conta de uma aula que um dia não teve, prova que o pai sorriu ao saber do adiamento, agendaram para uma tarde, uma semana mais para frente. Neste horário muitas salas ainda estavam trancadas, mas os fins dos corredores eram menos assustadores. Olhou para cima e viu dois olhos dentro de um capuz vermelho que se esconderam ao serem flagrados. Curioso, caiu os olhos para a recepção do prédio e notou enfileirados alguns seres com as mesmas roupas vermelhas que tentavam disfarçar de forma um tanto engraçada as suas entradas no grande edifício espelhado. Colocou então, pela primeira vez, os pés desacompanhados na rua e com o coração saltitando pegou a primeira escada que encontrou. Pelos degraus cruzou com uma mulher careca que carregava desequilibrando várias xícaras e louças. Subiu sem portas para sair, até que chegou ao topo. Lá os grandes encapuzados tomavam seus chás e conversavam, repetindo uma única e mesma palavra. Engatinhou por entre as pernas mas engatou em uma das sandálias e foi puxado de surpresa pela gola do casaquinho com estranha leveza. Ao ser indagado com um “glunck” teve a ideia de repetir o mesmo som. Todos da mesa ficaram pasmos. O da ponta então levantou da mesa com dificuldade e trouxe um manto exatamente do seu tamanho aos aplausos de todos. Tomaram chá com calma e depois, um a um, foram pulando lá de cima e entrando nas janelas de outros prédios mais abaixo. O menino com medo de voar desacompanhado pela primeira vez, tentou descer o máximo que pode pelas janelas, mas resvalou e foi parar no jardim do outro lado da rua. Ao ser indagado pelo pai sobre o capuz, minutos depois, com a prova feita faltando uma questão, respondeu que tinha ganhado lá em cima do prédio de um grupo de “coisos” engraçados. Com os olhos contra o sol, olharam com dificuldade para o topo. O menino feliz e o pai pela primeira vez julgando com o canto da boca as histórias do menino; desacompanhados.

Jefferson Schroeder

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Jefferson Schroeder

Baleia Um dia vazio pode levantar muitas ideias tristes. Enquanto uma mente parada elabora culpas e castigos, uma baleia nada com seu filhote do outro lado da terra, uma criança derruba um sorvete a algumas quadras dali, uma rosa desabrocha em um jardim de uma casa de madeira nu…
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Baleia Um dia vazio pode levantar muitas ideias tristes. Enquanto uma mente parada elabora culpas e castigos, uma baleia nada com seu filhote do outro lado da terra, uma criança derruba um sorvete a algumas quadras dali, uma rosa desabrocha em um jardim de uma casa de madeira numa fazenda onde mora um casal de idosos, um pássaro cai de um fio elétrico em cima da rua rachada por falta de chuva, um pintor termina seu quadro... Silenciar pode fazer o mundo parecer apenas seu, e o futuro dos dias estar em suas mãos. Acostumados a ouvir que fazemos por merecer e que tudo depende de nós, acabamos nos tornando um Deus de nós mesmos. Um Deus de natureza perfeita e de conquistas, que cresce sem falhas e alcança sem tentativas. Então todas as falhas parecem culpas, e todos os não passos se tornam castigos. Acreditamos que o passo é mais importante que a perna. Mas a perna está ali, e só de estar já é possível ser êxito. Quando sentimos que estamos perdendo, é um bom sinal, pois isto comprova que estamos no jogo. Estar no jogo é fazer parte do time, que marca ou não marca pontos, mas que tem as melhores intenções e está em quadra. Quando algo der errado é um bom sinal, você está tentando, acreditando que é possível. Enfrentando, em frente, andando. Silenciar e sentir a vida, o todo, o além da necessidade de se ver evoluindo. Tentar e ver o que já está acontecendo. A tentativa. As.

O amor não tem hierarquia Sempre desejei ser muito conhecido. Pensava que seria o máximo ter que ir embora de um shopping por não conseguir andar. Um pouco antes da vida desbloquear alguns caminhos para mim, me dei conta que algumas pessoas se deslumbram quando estão famosas par…
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O amor não tem hierarquia Sempre desejei ser muito conhecido. Pensava que seria o máximo ter que ir embora de um shopping por não conseguir andar. Um pouco antes da vida desbloquear alguns caminhos para mim, me dei conta que algumas pessoas se deslumbram quando estão famosas para tentar compensar uma frustração. Então fingem para si e para os outros serem pessoas especiais porque descobrem que a fama não tem nada do que parece de fora. Ser famoso inclui uma imagem que as pessoas querem que um famoso tenha. Esperam que ele seja metido, torcem para que ele caia, gostam de fofocas, de fazer sensacionalismo com a vida, com a sexualidade. Um retrato da sociedade que se equivocou ao dar razão sempre para o cliente grosso, para o pedestre que atravessa fora da faixa, para o fã que se dói pelo sucesso de um semelhante. O artista banalizado ao lugar de figura pública. Que de público não tem nada. Desenvolve o seu trabalho de forma privada e não usa o dinheiro do povo, como políticos. No mais, quanta gente linda e amada. Li essa semana que se você tem medo de lobos não deve entrar na floresta. Mas penso que cuidamos do lobo e ficamos amigos e hoje os consideramos os melhores. Venho para amar quem me encontrar, sem compromissos, e estou a disposição para tentar mudar um mundo de desvalores falidos para aguardar junto com todos o novo, que já é agora.

Onde dois ou três se movem a orar com eles estarei... A arte e a plateia - o Teatro “Onde dois ou três se movem a orar, com eles estarei”. Eu ouvia isso e pensava - Por que precisa ter mais de uma pessoa para que Deus esteja presente? Essa frase era de uma música que eu ouvia as…
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Onde dois ou três se movem a orar com eles estarei... A arte e a plateia - o Teatro “Onde dois ou três se movem a orar, com eles estarei”. Eu ouvia isso e pensava - Por que precisa ter mais de uma pessoa para que Deus esteja presente? Essa frase era de uma música que eu ouvia as vezes. Na história do teatro tem o estudo de desvendar as suas origens - Uma delas, a mais forte, os rituais, onde dois ou três se movem a orar. Agora vendo um vídeo onde um violonista toca na rua e uma espectadora bailarina tira seus chinelos e começa a dançar, entendi que Deus já estava ali, no violinista, na bailarina, mas principalmente no tirar de chinelos para o dançar da oração. Quando a conexão da dança se fez com as cordas do violino, ela e ele juntos oraram e dançaram e foram puros na ingenuidade divina que existe em uma canção, em um dançar, a arte. “Contigo estarei”, pois estou contigo e sou cordas de violino por onde você dança quando se conecta com os meus em movimentos de ações divinas. Sobre o vídeo Ballerina from Palestine could not resist the melody of a street musician in Italy.

Se minha mente fosse um diário. Acho que eu preciso escrever. Como preciso desenhar as vezes. Porque esvazia, e preenche algo. Dizem que para que algo invada, que é preciso ter espaço. Mas o vazio também guarda. Esse texto começa com um sentimento e termina embaixo de uma árvore…
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Se minha mente fosse um diário. Acho que eu preciso escrever. Como preciso desenhar as vezes. Porque esvazia, e preenche algo. Dizem que para que algo invada, que é preciso ter espaço. Mas o vazio também guarda. Esse texto começa com um sentimento e termina embaixo de uma árvore. O meio está entre o que quero e o que farei. Pensei hoje que uma pintura tem uma forma própria de falar. E que se você explica o que ela quer dizer, por mais que a obra seja sua, a descrição será outra obra, porque as palavras têm a arte delas. No café de manhã, e como é bonito quando alguém fala que tomou um café bem cedo, percebi que contenho um amor em mim por pessoas que conheço pouco. Era ela na minha frente, mas ontem a noite eram outras pessoas. Amo a pessoa e seguro em mim um desejo de ficar junto, de conhecer mais. Fiquei feliz de notar os óculos do repórter, os tênis da jornalista, os cabelos, as sardas e os olhos de desenho do ruivo que falava diferente de todos os outros diferentes. Tentei ser poético agora e acho que viajei. Estou quase nas nuvens, dentro do avião. Tem algo em mim que ainda não saiu. Meu coração tem pulado forte. E meu desejo agora seria parar um pouco a minha cabeça. Tenho tentado dizer para mim “O mundo que espere”, é libertador. Duas coisas que gosto de fazer: pedir informações na rua para pessoas mais simples ou para crianças ou para pessoas bem velhinhas. É tão bonito de ver. E a outra coisa é dizer para a pessoa que fala mal de alguém, que esse alguém adora a pessoa. Façam isso. É uma mentira boa. E ela gera. No fundo falo. Mas tudo o que queria era ler o livro do Jung que comprei que anda na minha mochila querendo minha atenção. Deitado na grama. Ouvindo os pássaros que sempre cantaram no sul e me fizeram procurar as buzinas. Sinto falta. E este fim poderia ser um ótimo começo para este texto.