Frase de Samuel Eduardo Fortes
Anistia Jogados pela lembrança do terror Cheirando à diesel em meio a noite escura No frio neblina fumaça branca em veraneio Não sou a sua morte, nem serei sua vida Somos o que repetidamente fazemos Se dez batalhões viessem à minha rua E vinte mil soldados batessem à minha porta à sua procura Eu não diria nada Eu sou o não atrás do poste Aquele que vê e se faz fazendo Suspiro coração ardente Saliva preparada em ponto de guerra Teu corpo branco já pegando pelo Me lembro o tempo em que você era pequeno Não pretendo me aproveitar E de qualquer forma quem volta sozinho pra casa sou eu Eu sou a Pátria que lhe esqueceu O carrasco que lhe torturou General que lhe arrancou os olhos O sangue inocente de todos os desaparecidos O choque elétrico e os gritos O terror continua aberto Apenas mudou de cheiro e de uniforme Está estacionado por cima da calçada Comem lixo e deixam latrinas deitadas Bocas de lobo abertas e quentes Calor de um motor frio Ausente de si mas em qualquer esquina Preso em vergalhões gravetos Surrado em meio ao muito cheio Pela janela olhares assustados Calor do rosto entre a fresta Tropeçar de botas cano longo Batidas de botas e cacetete Eu sou a sua morte O sangue inocente de todos os inocentes
No pensador.ai desde