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Frase de Gabriel Chalita

São Paulo, que mora em mim. A primeira impressão do menino de interior chegando a uma floresta de edifícios. Senti-me soterrado, assombrado pelo colosso que é essa cidade altiva. Fiquei atônito com a quantidade e diversidade de restaurantes, bares, hotéis, padarias, cafés, cinemas, lojas, vitrines. Mas foi um momento mágico, e o esmagamento transmutou-se em encantamento. Hoje não tenho medo, não tenho assombro. Tenho loucura, a mesma loucura de Mário de Andrade: sou um desvairado pela Paulicéia". "Tenho vontade de ver essa cidade mais bonita, mais limpa, valorizando mais - e principalmente - a região central. Quiçá transformando pichadores em artistas, valorizando a força poética desse povo. São Paulo mora dentro de mim. É parte de meu sistema nervoso central, formado por um conjunto de um milhão de motivos amorosos". "São Paulo me ilumina, por dentro, com suas cores. A variedade cromática dos seus parques, Ibirapuera, Carmo, Juventude, Aclimação, Trianon, Campestre. A variedade dimensional das suas arquiteturas de granito, pedra sabão, mármore, ferro, concreto, aço, tijolos, azulejos e vitrais, em prédios, bangalôs, varandas, sacadas, igrejas, capelas, caixotes e tendas. A variedade sagrada de suas flores, floreiras, vasos, bancas, vitrines, esquinas. A variedade tremulante das suas aves, das suas bandeiras, seus lençóis e bandeirolas. A variedade gastronômica dos seus orientais, regionais, mediterrâneos, contemporâneos. São Paulo se derrama em mim, pelas minhas veias. Cada gota uma nacionalidade, trezentos pedaços de glórias e de histórias. Sua geografia arterial reproduz o caminho de minhas safenas, cavas, subclávias e aortas, em avenidas corpóreas como a 23 de maio, Paulista, Consolação, Ipiranga e Liberdade.". "São Paulo do charmoso bairro em que vivo Higienópolis. Das Praças Vila Boim e Buenos Aires, de amigos fascinantes, das múltiplas tribos. São Paulo é o coroamento de raças, etnias e credos. É a epopéia da heterogeneidade, se move, se alteia, se levanta, não pára, dentro de mim. Eu moro em São Paulo. Mas, antes disso, São Paulo mora em mim".

Gabriel Chalita

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Gabriel Chalita

O outro não é uma coisa que existe para nos servir. Ninguém é coisa de ninguém.
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Febem - Um desafio possível Paulo Lins, autor do romance Cidade de Deus - sucesso adaptado com genialidade por Fernando Meirelles para as telas do cinema -, captou com maestria a realidade cruel e dolorosa de crianças e jovens que, corrompidos pelo meio (leia-se ausência total de oportunidades, incentivo, educação e estruturação familiar), ingressaram no universo da marginalidade e da violência. O mesmo teria acontecido, provavelmente, à pequena e indefesa "Negrinha", personagem imortalizada pelo conto homônimo de Monteiro Lobato, caso a menina tivesse nascido no final do século 20, longe dos resquícios da escravidão das fazendas, mas próximo à escravidão social dos ambientes urbanos. Mais uma vez, a ficção - seja literária, seja cinematográfica - nos dá uma lição de vida imprescindível: ou a sociedade compreende a necessidade premente de romper o ciclo vicioso da criminalidade ou estaremos condenando o futuro do Brasil e do mundo de forma irreversível. Somente a mobilização social, por meio da união de esforços entre governos e demais instituições da sociedade civil organizada, pode reverter o rumo caótico que os acontecimentos vêm tomando. Em todo o mundo, os altos índices de violência, que agora se expandem em ritmo acelerado das metrópoles em direção às cidades do interior, compõem um quadro dramático cujos desenhos dantescos nos convidam à tomada de ações imediatas. Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin demonstrou total sintonia com a urgência dessa situação. Por meio de uma atitude corajosa e inovadora, integrou a Febem aos quadros da Secretaria de Estado da Educação, uma iniciativa fundamentada sobre os pilares de um conceito básico para a recuperação dos adolescentes em conflito com a lei: a ressocialização via aprendizado, preparo psicológico, acesso à informação, à cultura, ao esporte e ao lazer. Um método que resulta na aquisição da auto-estima e da autoconfiança, provenientes da descoberta gradativa dos talentos e das potencialidades dos educandos - da mesma forma que deve ocorrer com os alunos do ensino regular, nas escolas. Assim é que se adquire consciência crítica, capacidade de discernimento e, enfim, se constrói a cidadania. É essa a nova proposta da Febem, totalmente condizente com os projetos e ações da Secretaria de Estado da Educação. Temos um enorme desafio pela frente. E, para que possamos superá-lo de forma eficaz, precisaremos do apoio, do incentivo e da colaboração de todos os segmentos sociais. Nesse sentido, gostaríamos de convidar empresas, ONGs, igrejas, universidades e demais instituições para nos auxiliar na missão instigante que é reescrever o roteiro desse filme grandioso e, por isso mesmo, complexo em toda a sua estrutura. Se assumirmos os papéis de diretores, cenógrafos e produtores que essa grande obra requer, poderemos mudar a história de milhares de jovens atores que necessitam de uma orientação mais cuidadosa na concepção, na criação e, finalmente, na concretização de cenas que viabilizem finais mais felizes para suas vidas reais. A ampliação dos programas de liberdade assistida e a construção de unidades menores da Febem, tanto na Capital quanto no Interior, privilegia essa nova realidade e tem possibilitado às equipes da instituição a realização de um trabalho mais produtivo e bem-sucedido, capacitando esses jovens e transformando-os em protagonistas aptos a exercerem sua plena cidadania. Milhares de jovens atores estão aprimorando suas habilidades por meio de aulas do ensino regular e profissionalizante, diversas oficinas de arte, cultura (teatro, dança, artesanato) e, ainda, 32 modalidades esportivas que abrangem do futebol ao xadrez. E isso é só o começo. De nossa parte, garantimos total dedicação e empenho para dar a este enredo um desfecho verdadeiramente alegre, bem diferente dos finais da maioria dos personagens da obra de Paulo Lins e da protagonista do conto de Lobato. Acreditar que é possível é essencial. Vamos seguir à risca a cartilha de Victor Hugo - outro grande ficcionista que retratou em seus livros as injustiças e problemas sociais de seu tempo - que já alertava: "Nada melhor do que um sonho para criar o futuro". Publicado no jornal Diário de S.Paulo