A Casa, a Montanha e as Asas Bati o tapete, arrumei o meu canto, A rotina da casa se fez poesia. Enquanto eu gravava, envolta em encanto, Olhei pra montanha ao fim do meu dia. A névoa descia serena e veloz, Cobria o topo com um véu de algodão, Como se o mundo guardasse nossa voz Pra transformar a tarde em oração. E no meio desse cenário abençoado, Um visitante de penas surgiu, Com peito amarelo e olhar apressado, Vindo do alto que a névoa cobriu. Eles entram sem medo, procurando por mim, Voam no espaço do meu próprio lar, Pois sabem que a casa é um belo jardim Onde a alma é leve e pronta pra amar. Se a chuva lá fora impede o banquete, A mesa se põe em tom de louvor. Nem a água que cai, nem o vento que mete Desfaz essa laço de tanto valor. Eu canto pro céu, pro Grande Criador, E as asas se chegam pra me acompanhar, Na brisa suave de um puro amor, Onde homem e bicho aprendem a cantar. Como pequena mulher da criação, Zelo por tudo que o Pai me confiou: A montanha de névoa, a limpa canção, E o passarinho que hoje me visitou. O que achou desta versão ampliada?
— Fatima Gomes Cardoso de Andrade
Publicada em 19 de setembro de 2026
Fonte: Pensador.com
