Pular para o conteúdo

Frase de Andréia Barros

Paudalho 31 de agosto de 1929, é meia noite de uma quinta-feira chuvosa. Não consigo dormir. Aqui subsiste o silêncio da noite e vezes outras uma solitária coruja aproveita e entoa seu canto. E claro, os ponteiros de um arcaico relógio de parede que a cada minuto parece martelar minh'alma. O som é gritante. Aqui estou, pés no chão, cabelos nevados, rosto enrugado, pele encarquilhada, coração desguarnecido, olhos inudados. Tudo em mim é uma lembrança obstinada. Lembro dos anos mas incríveis da vida, quando conheci o extremo da felicidade e o amor puro e tão bonito. Lembro-me a última vez que estivemos juntos, era pra ser uma tarde prodigiosa, e até foi nos primeiros momentos. Pude assistir cada folha do outono que caia no chão, lembro de cada toque, de cada beijo, dos abraços, do amor declarado, até do silêncio que que iniciou em seguida e perdurou até hoje. Quando questionada sobre o término nunca soube dizer. Acabou. Partiu pra sempre e sempre busquei respostas. Nada mudou em mim, como o fogo aceso em brasas vivas, assim é tudo que sinto. Todas as noites eu tenho vivido o extremo da saudade, tenho sentido o salgado e amargo de cada lágrima que cai. Cada uma tem sua lembrança. Estou monótona e parada em um universo nostálgico, cheia de palavras pra escrever mas tudo se resume em uma saudade constante, amarga e desalegre. Hoje resolvi escrever sobre nós, e antes de expor em letras, vírgulas e ponto final toda dor, eu lembrei dos bons momentos e singelamente sorri, embora, esse sorriso logo se encobriu. Porque quando juntei as letras nas verdades absolutas, em uma triste realidade transmudei de repente e me tornei desolada. E cada lágrima que cai nessa folha é de uma lembrança guardada, lembrada e respeitada. Tá tudo bagunçado, o cabelo, a vida e o velho coração. Que ainda que não pulse com todo vigor de antes deseja na mesma intensidade de outrora. Um amontoado de emoções e cicatrizes que as vezes respiro profundamente pra ter certeza que estou viva. E acredite, estou. Amar é ser escravo do desejo é ser acorrentado a ele e viver em súplicas quando tudo no final desanda. Desamo o destino, quando lembro que nossas vontade são coincidiram. Destino cruel, em tantas vezes assassino, mata aos poucos e faz de nós o que bem quer. No fundo somos contadores de histórias, de tudo que passou por nós, nos marcou e seguiu apressadamente. O dia está amanhecendo, consigo ver da janela a mudança de cor, a despedida da lua, o sol acenando e agosto partindo pra sempre. Alguém bate na porta do quarto é minha enfermeira em minutos preciso fazer medicações, nebulização e mais medicações. Pra hoje não quero muito se não um dia tranquilo, na janela que da acesso ao horizonte. Continuarei fingindo felicidade porque ninguém vai conseguir entender o que sinto se não conheceu um amor de ve

Andréia Barros

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Andréia Barros

Quero falar sobre uma batalha diária que é abrir mão de você. É que talvez nunca saiba do tanto que choro de saudades todos os dias ou que toda noite escrevo um texto dizendo tudo que sinto e cancelo em seguida pela falta de coragem. Talvez não saiba do suplício que é lembrar d…
Continuar lendo

Quero falar sobre uma batalha diária que é abrir mão de você. É que talvez nunca saiba do tanto que choro de saudades todos os dias ou que toda noite escrevo um texto dizendo tudo que sinto e cancelo em seguida pela falta de coragem. Talvez não saiba do suplício que é lembrar de nós, das incontáveis borboletas no estômago e do desvaneio de ser feliz contigo. Uma esperança vã que é infinitamente bela e insuportavelmenteirreal. Chamo a isso utopia que do grego significa "lugar ou situação que não existe", mas que trás uma alegria. Embora efêmera e momentânea, porém de uma vontade eterna. É uma realidade distante que quando caminho alguns passos ela sempre está adiante. Não imagina as vezes que quis te encontrar em todos os lugares onde estive, e essa necessidade me fez vê teu rosto em tudo que olhei. Embora sempre tropeçando na tentativa fracassada de ti vê chegar. E que tombo, sempre de cara com um chão frio, duro, coberto de poeira e solidão. Não imagina que te bloqueio incontáveis vezes pra não vê sua foto e outras tantas volto atrás porque não aguento tanta saudade. E assim, nessa busca da paz, aproximo meu rosto na timeline, vejo, sinto e logo quero para todo sempre. Não sabe que choro no quarto, no ônibus e na vida pela dor do silêncio e a falta de coragem. E isso talvez nunca irá saber. Afinal, sou amor não vivido e arrependimentos tardios, essa linha tênue que divide as palavras digitadas, apaixonadas e apagadas pela falta da ousadia que todo dia me falta pra ser feliz. E não sei ao certo o que é pior, sofrer calada ou por um NÃO como resposta. Na dúvida optei por amar em silêncio e de alguma forma seguir em "paz".