Frase de Sezar Kosta
QUEM SABE UM DIA por Sezar Kosta Eu gostaria, quem sabe um dia… voltar a conversar com Deus sem medo, como as crianças falam com o vento, sem teologia, sem desconfiança, com aquela fé que não pesa, apenas pousa. Eu gostaria, quem sabe um dia… lembrar o nome das coisas simples, o cheiro do pão, o silêncio da tarde, a pureza que o tempo levou como quem leva água nas mãos e não percebe a perda. Eu gostaria, quem sabe um dia… desaprender a dureza do mundo, essa engrenagem que mastiga sonhos, que troca almas por algoritmos, que vende esperança em prestações e chama lucro de milagre. Eu gostaria, quem sabe um dia… entender por que os homens esquecem tão rápido o essencial — o abraço que salva, a escuta que cura, a compaixão que devolve fôlego a quem já respirava só por hábito. Eu gostaria, quem sabe um dia… reencontrar a verdade divina no avesso da vida moderna, onde tudo brilha, mas nada ilumina, onde todos falam, mas ninguém confessa o tamanho do próprio vazio. Eu gostaria, quem sabe um dia… aprender a amar com lucidez, sem a ilusão dos mártires cansados, sem o peso dos cínicos orgulhosos — apenas amar, como quem reconhece no outro a última chance de redenção do mundo. E se esse dia não vier, que ao menos eu continue procurando, mesmo entre ruínas, tumultos e telas, um rastro de inocência que sobreviva, um sopro de Deus que ainda resista, uma luz pequena — mas honesta — onde eu possa repousar a alma e enfim dizer baixinho: “eu me lembro.”
No pensador.ai desde