De qualquer jeito
Eu deitei o meu olhar nele
e vi brotar
amor
e se essa dor que sinto
for saudade
vou te revelar
que não suporto
mais que um dia
assim
com essa luz negra dentro de mim
então venha
e ilumine a mim
com sua pele ensolarada
vem
com todos os teus dentes
devorar minha
tolice
daí te devoto
rimas
e poesias
um fuxico no pé do ouvido
ou qualquer coisa assim
Se eu não errasse tanto
talvez ele estivesse ainda em meu calor
ou é coisa que não se pode mudar?
Destino, coisa que não nos quer ver juntos
ou não ficamos juntos por outro motivo?
que vou fabricar que não palavras tristes?
Eu era feliz quando sua boca me calava
quando suas mãos me surpreendiam
hoje
sou a flor que nasceu escondida entre grandes arbustos
que se enfeiou sem o sol
que morreu aos poucos
deixando no solo
um rastro de perfume
eu disse que não reclamaria mais
no entanto
estou cheia de tudo isso
e minhas mãos
vão expressando aqui
o que meu coração dita
como é bom ficar no mesmo local que ele
é felicidade se derramando para todos os lados
ele me emociona
será que estou ficando doente
ou o amor faz isso?
Eu sei apenas
que me declararia todos os dias para ele
se lavasse suas roupas cantarolava uma canção
se passasse suas roupas cuidaria em não queimar
se o alimentasse cuidaria para que o deliciasse
se o ouvisse, que fosse com os ouvidos mais aguçados desse planeta
para que cada palavra dele fosse-me entendida
se o enraivecesse
que o fizesse se alegrar
em um simples gesto
tenho tanta vontade de estar junto à ele
que isso me repele
e não consigo um minuto sequer
ao seu lado
crio coisas em minha mente
ou existem?
Ele está em cada sonho meu,
ligo cada coisa ao seu ser,
tento obstinadamente o esquecer
olho por onde ir
na intenção de não cruzar nossos caminhos
Tudo que vivemos gira em minha cabeça
e é tão forte que não me deixa
Algum dia talvez
meus sentimentos acabem por morrer
o que duvido que aconteça!
O vazio do meu olhar
vê o mundo como algo
a girar no universo
que faço para recuperar a vida?
Já não dá para seguir em frente
sem chorar
eu o amo tanto
o amo tanto
andando no mundo
perdida e sem casa para retornar
eu cheguei no fundo
sem bússola sem sonar
não sei ler nem escrever
meus pais muito cedo decidiram me abandonar
a água ainda por ferver
meus pés estão rachando o chão
eu os escondo para ninguém ver
meu alimento está no lixão
é tanta fome que me faz tremer
e o amanhã eu não sei prever
é tanta discórdia que me faz temer
se eu ainda vou encontrar um lugar que me aceite
é tanta tristeza que me faz gemer
eu com pouco outros com azeite
mas eu não os invejo nisso
só quero que me respeite
já que esse povo é omisso
quero ver as palavras e compreender o que dizem
só assim vou saber para onde ir
quero ver as palavras e compreender o que dizem
só assim vou compreender como sorrir
eu quando criança via a matança
e corria para dentro de casa
tinha esperança
de criar asa
e voar para longe daquilo tudo
e fazer pro tiro um escudo
e agora estou jogada ao vento
tudo acontecendo a um palmo de mim
essa não é uma canção é um lamento
para meu irmão querubim
eu agora faço a curva na estrada
desato a chorar por não saber mais o que sou
se sou bicho, mulher, ou fada
queria ser o trem que já passou
mas se continuo aqui é para seguir em frente
mesmo tendo marcas de inconsequentes
já não me sobram nem os dentes
e tenho uma cicatriz que tirou um de meus olhos
ainda assim sou diferente
e vejo tudo muito bem, mesmo sendo do país dos caolhos
que dizem crentes
que tudo vai mudar
e não fazem nada para criar
chances de isso acontecer
só fazem se amuar
e me amolar com seus discursos
criam regras para me acuar e me tornar um dos expulsos
mas, eu tenho fé ainda
Deus está me olhando lá do céu
quando aprender a escrever
vou dos seus olhos tirar o véu
e amargar suas bocas com o fel
é difícil perceber ou estão se fazendo de burros
na noite ouço urros de horror
e vocês dormem misteriosamente em castelos
e não percebem o terror que é
passar a vida a pedir esmolas de amor