Frase de Marcelo Caetano Monteiro
“A Santidade do Pecado Que Ainda Me Chama” Há um altar em mim e nele repousas, com o perfume dos que foram sagrados pelo erro. Teu nome não se apaga, apenas silencia, como se a eternidade tivesse medo de pronunciar o que fomos. És santo agora dizem os anjos, mas eu, que te amei no pó e no fogo, sei que há cinzas que ardem mais que a chama. Tua inocência não me consola; ela me fere, como a pureza de um véu sobre um corpo que ainda treme na lembrança. Foste o pecado que ajoelhou, o amor que quis absolvição, mas o divino não apaga o humano, apenas o exila num suspiro. Eu não sonho contigo apenas descanso nas fronteiras do que não pode voltar. E quando o sono me concede tua sombra, não desperto: permaneço suspenso, entre o sacrário e o abismo, onde tua voz ainda pede perdão por ter amado demais. Na carne, morre-se uma vez; no espírito, infinitas. E em cada morte tua dentro de mim, renasce o silêncio, funéreo, ardente, onde minha alma te beija pela última vez sem jamais te deixar.
No pensador.ai desde