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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

UM NOVO OLHAR PESSOAL SOBRE A BÍBLIA Demétrio Sena, Magé - RJ. Faz tempo que li a Bíblia. Do Gênesis ao Apocalipse. O Novo Testamento, em separado, li algumas vezes. Não sou um profano inconsequente. Sei por que a Bíblia não é para mim um parâmetro de vida. Mas tem sabedorias que me tocam e vejo em Jesus Cristo um ser humano especial, cujos ensinamentos vale a pena observar. Entretanto, não decorei a Bíblia. Nem a li com o objetivo de arrotar aos quatro ventos: "Está escrito no livro tal, versículo tal... Este ou aquele livro diz isto e aquilo naquele ou outro capitulo"... A Bíblia não é para recitais. Não é proibido recitá-la, mas esse não é o objetivo real nem central de seu manuseio. Voltando a ler alguns textos bíblicos, retorno aos dez mandamentos e aos pecados capitais com um novo olhar sobre toda a Bíblia. Pecebo que ela não é toda composta de ordens ou mandamentos. Tem conselhos, avisos, observações, opiniões, registros históricos e literatura. Nem tudo nesse livro é para salvar ou condenar a humanidade. Ainda que fosse cristão, acredito que neste momento meu olhar seria o mesmo, se eu me permitisse tirar conclusões próprias. Sem a intervenção e o crivo do meu líder denominacional. A Biblia só tem dez mandamentos. Definitivos. Não tem milhares. E só tem sete pecados que podem, efetivamente, condenar o ser humano. No Velho Testamento Deus dá as cartas, com dureza, vingança e castigo. No Novo Testamento Cristo propõe com amor, leveza e liberdade. A graça que substitui a velha lei, que não deu certo, por isso a substituição. Foi dessa forma que vi o quanto a Bíblia continua sendo usada como arma, peso e aguilhão... como as atuais religiões cristãs estão atadas à crueldade, às guerras, às pragas e ao temperamento divino incontrolável, tirano e destruidor. E pasmemos: o que ficou do Velho Testamento, que é essencial para o bem viver, as religiões relutam em aceitar. Sabem por quê? Porque dizem respeito à felicidade; ao bem do próximo. Os dez mandamentos não incluem preconceitos; não mandam segregar, oprimir, julgar, subjugar, destruir. Dizem para não matar; não roubar; não cobiçar o que é do próximo; honrar pai e mãe; amar... tudo pelo próximo; sem cobranças. E os pecados capitais? Desde a gula, passando pela soberba e outros cinco, todos prejudicam o outro e só por isto são condenáveis. Com a Mão-de-ferro do Velho Testamento ou a graça do Novo, a Bíblia Mostra - desde o Êxodo - um Deus muito mais Preocupado com o homem do que com a Própria Grandeza e as escolhas humanas de foro íntimo, quando não causam danos ao outro.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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JU Demétrio Sena, Magé - RJ. Dorme o sonho de um anjo que acredita nos poderes de um pai que tudo pode, vence a cripta, o fogo, as forças cósmicas ou as tramas ocultas dos mortais... Põe a vida nos vãos da minha mão; na leitura suave dos afagos; no sermão dos meus olhos que traduzem meu amor infinito; sem medida... Pousa e dorme, acredita em seu herói que não teme vilão, monstro noturno, sara medo e dodói; assusta o susto... Só eu sei que no fundo ela me salva; tem a força, o poder, guarda meu mundo e não deixa minh´alma se perder...

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.