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Frase de João Cabral de Melo Neto

Por trás do que lembro, ouvi de uma terra desertada, vaziada, não vazia, mais que seca, calcinada. De onde tudo fugia, onde só pedra é que ficava, pedras e poucos homens com raízes de pedra, ou de cabra. Lá o céu perdia as nuvens, derradeiras de suas aves; as árvores, a sombra, que nelas já não pousava. Tudo o que não fugia, gaviões, urubus, plantas bravas, a terra devastada ainda mais fundo devastava.

João Cabral de Melo Neto

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Pensador.com

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E somos Severinos, iguais em tudo na vida. Morremos de morte igual, da mesma morte Severina, que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia. (Morte e Vida Severina)

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato O amor comeu meus cartões de visita O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas
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O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato O amor comeu meus cartões de visita O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minha dieta O amor comeu todos os meu livros de poesia O amor comeu meu Estado, minha cidade O amor comeu minha paz, minha guerra, meu dia e minha noite Meu inverno, meu verão Comeu meu silencio, minha dor de cabeça O meu medo da morte