Frase de Abraham Schneersohn
No ventre do Nada, um eco sussurra, um som sem origem, que o vácuo murmura. É cifra que dança na sombra da luz, onde o Verbo não fala, apenas seduz. Quem forja os limites do que não tem fim? Quem planta a centelha no pó do jardim? Ali onde a forma se curva e se esconde, jaz o Mistério que tudo responde. Se a chama é oculta no seio do gelo, qual é o segredo que anima o anelo? E se o espelho do céu é o chão que se quebra, quem lê as palavras que o tempo celebra? A teia do real, tecido sem cor, é feita de névoa, silêncio e ardor. Nela os números cantam, os ângulos oram, as letras se curvam, as formas devoram. No olho do ciclo que nunca termina, há um ponto imóvel que tudo domina. Mas quem o percebe? Quem nele repousa? O sábio sem rosto ou a estrela que pousa? Sete são os portais e doze os sopros, mas qual é o nome que habita os próprios? Se a rosa gira e jamais se fecha, qual mão invisível a forma e a deixa? Há ouro no vento e sal nas estrelas, há mapas gravados na pele das velas. E quem decifrá-los, será como um rio: fluido, sem margem, sem tempo, sem fio. O que tudo contém mas nada é, quando o tudo convém? Sussurre o enigma ao silêncio que paira, e a Chave surgirá onde o eco não falha.
No pensador.ai desde