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Frase de Nelson Rodrigues da Costa

⁠Num espaço dedicado ao cultivo do corpo e do espírito, surge um homem cuja alma anseia desvendar os mistérios do Karaté. Vestindo o cinto branco, emblema de pureza e iniciação, ele comparece aos treinos, embora o seu esforço seja tão efémero quanto a brisa fugaz. Encantado não tanto pelo rigor do treino, mas pela camaradagem e pelas conversas pós-luta, regadas a cerveja, ele busca mais do que a maestria técnica: procura a camaradagem que tanto anseia, numa jornada onde o esforço parece ser um mero detalhe. Entretanto, à medida que o tempo avança, ele percebe que o reconhecimento do mestre não lhe é concedido, não obstante a sua presença constante. Tal constatação desperta nele uma chama de insatisfação, alimentando a decisão de se desviar do caminho estabelecido. Assim, unindo-se a outros de espírito semelhante, ele empreende a criação de um novo dojo, onde as promessas de ascensão rápida e a promiscuidade social são as novas moedas de troca. Adquirindo o cinto negro não pela via da dedicação, mas pelo poder monetário, ele ergue-se como o grande Sifu, iludindo-se com a miragem da autoridade. Neste ambiente que ele próprio forjou, rodeado por almas cúmplices na sua ilusão, o fracasso torna-se motivo de celebração, enquanto a excelência real é eclipsada pela máscara do sucesso fabricado. Na encenação do poder e prestígio, refugiam-se, ávidos por uma validação que não encontram nas suas vidas para lá das paredes do dojo. Os verdadeiros buscadores da arte, ao vislumbrarem a futilidade deste teatro de vaidades, logo se retiram, deixando para trás aqueles que preferem o simulacro do conhecimento à árdua jornada da aprendizagem genuína. E assim, o dojo prospera, não pela luz da verdade, mas pela sombra da ilusão, onde o ser e o parecer se entrelaçam numa dança sedutora.

Nelson Rodrigues da Costa

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Pensador.com

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Outras frases de Nelson Rodrigues da Costa

Veem-me cinzento. Mas não é por falta de cor — é por não pintarem devagar.
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Veem-me cinzento. Mas não é por falta de cor — é por não pintarem devagar. Não sou o que mostro. Sou o que seguro para não cair. O que calei para não ferir. O que deixei por dizer para não gastar palavras em vão. Aprendi a vestir sombras com a dignidade de quem sabe que até a noite tem camadas. Ergui castelos no ar com mapas rasgados. Com linhas tortas, sim, mas desenhadas com silêncio aceso. Não procuro a luz para brilhar… prefiro arder por dentro a que me apontassem o fogo. E quando me tentam convencer falsamente que o mundo é preto ou branco, guardo as cores no bolso. Não para esconder — mas para aqueles que as querem mesmo ver. Sou feito de todas as coisas que não se veem à primeira. De silêncios que gritam. De memórias que ainda não aconteceram. De palavras que nasceram antes da boca. Não preciso de ser lido. Mas se me lerem, que não me distorçam. Procurem a cor, não as trevas. As que tremem. As que resistem. As que sou.

⁠Jamais existirá despedida entre autênticos irmãos. Os verdadeiros não são apenas presença material, mas também espiritual. Esculpidos no mais profundo sentimento da alma, talhados no núcleo do coração.
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⁠Jamais existirá despedida entre autênticos irmãos. Os verdadeiros não são apenas presença material, mas também espiritual. Esculpidos no mais profundo sentimento da alma, talhados no núcleo do coração. Não importa a distância ou circunstância, nunca será um até sempre, mas um até mais.

⁠ O Poeta Voador Dizem que a dor e o amor fazem o poeta.
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⁠ O Poeta Voador Dizem que a dor e o amor fazem o poeta. Dois lados de uma mesma moeda, que ora dá cara ora da coroa. Fica a bipolaridade ora feliz ora triste... consistentemente insatisfeito. Mas de quem é o problema? Do que ama ou do amado? No fundo do que sofre, porque sonha voar mais alto com asas frágeis e cansadas. Enquanto planeia no alto reza que a esperança não esmoreça, que a nuvem sustente o palácio onde reside o seu espírito lutador...