Frase de Alessandro Teodoro
É superlegítimo que quase todos estejam muito preocupados com a readaptação dos alunos… Mas, e a readaptação dos professores, que viajaram, reaprenderam a dormir, acordar tarde, e até a achar que já estavam ricos? Fala-se da rotina que volta, do despertador que deixa de ser opcional, do caderno que substitui o travesseiro e das responsabilidades que retomam seu lugar. Mas muito pouco se fala da readaptação dos professores. Aqueles que, por alguns dias, viajaram — ainda que para dentro de si mesmos. Que reaprenderam a dormir sem o peso do planejamento do dia seguinte. Que almoçaram sem pressa. Que ousaram esquecer o som da campainha. Que até se permitiram acreditar, entre uma conta paga e outra, que talvez a vida estivesse finalmente entrando nos eixos… que talvez já estivessem “ricos” — não só de dinheiro, mas também de tão merecido descanso. E então fevereiro chega sem ao menos pedir licença, já metendo o pé na porta… Voltam os horários, os diários, as metas, as cobranças invisíveis. Volta à responsabilidade de formar, orientar, acolher — muitas vezes sem que haja quem os acolha também. Porque ensinar não é apenas transmitir conteúdo; é repartir energia, paciência e presença. E tudo isso também precisa ser reabastecido. A readaptação do professor é deveras muito silenciosa. Não tem cartilha oficial. Não tem reunião específica. Não tem protocolo de acolhimento. Mas existe. E é muito profunda. Porque antes de ser educador, ele é humano. E humanos também precisam de tempo para voltar — não só à sala de aula, mas ao ritmo acelerado de um mundo que muito raramente reconhece o peso da missão que carregam. Talvez o ano letivo começasse melhor se, junto aos alunos, também perguntássemos aos professores: “Você está pronto… ou precisa de mais um pouco de fôlego?” Força na peruca — Feliz e abençoado ano letivo, mestres!
No pensador.ai desde