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Frase de JorgeLimaLoiola

Tem pessoas que passam e deixam o mundo torto. Depois delas, as ruas não sabem mais ser só ruas. O lago não sabe mais ser só água. Os lugares viram armadilhas para a memória. Eu ainda te procuro onde você não está. Na igreja. Na academia. Nas esquinas da cidade que aprenderam o seu jeito de andar. Eu quase fui. Quase deixei um bilhete. Quase atravessei meu próprio orgulho para te desejar feliz aniversário. Quase me esqueci de tudo o que me feriu. Mas eu não fui. Porque algumas pessoas ensinam a gente que amor também pode ser silêncio. Eu lembro de coisas que talvez você nem lembre mais. De caminhadas sem destino. De risadas que não precisavam de motivo. De um jantar simples que virou casa. De um dia em que você acordou nos meus braços e, por um instante, o mundo ficou quieto. Eu sei que erramos. Eu sei que doeu. Eu sei que você não soube me cuidar. Mas o que eu senti por você foi limpo. Foi inteiro. Foi verdadeiro. E talvez isso seja o que mais machuca: ter amado alguém que não soube ficar. Eu carrego uma marca na pele que não é vaidade. É memória. É prova de que existimos em algum tempo do mundo. Às vezes penso que eu não significo nada pra você. Que eu fui só mais um trecho da sua vida. Uma página dobrada. Um nome esquecido. Mas eu sei o que eu vivi. E isso ninguém apaga. Você não está mais aqui, mas tudo ainda sabe o seu nome. Mesmo que eu não diga. E dói. Dói porque foi real. Dói porque eu ainda sinto. Dói porque eu não soube te esquecer...

JorgeLimaLoiola

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Pensador.com

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Outras frases de JorgeLimaLoiola

Na sociedade da performance, adoecer é crime. Quem cai é empurrado para fora.
Demorei para perceber que quase tudo, na vida, gira em torno da mesma obsessão: controle. Chamam de organização. De rotina.
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Demorei para perceber que quase tudo, na vida, gira em torno da mesma obsessão: controle. Chamam de organização. De rotina. De responsabilidade. Mas é medo. Medo do que pensa sozinho. Medo do que cria fora do padrão. Medo do que não se deixa domesticar. Por isso contam horas, não ideias. Presenças, não sentidos. Corpos, não consciências. Aprendi cedo que existir era caber. No horário. Na planilha. Na expectativa. E, para caber, comecei a diminuir. Produzia mundos inteiros em silêncio, mas ninguém via. Porque não estavam interessados no que eu criava, e sim no quanto eu permanecia disponível. Não querem pássaros. Querem gaiolas cheias. Dentro delas, aprendemos a funcionar. Não a viver. Adoecer em segredo. Cansar em silêncio. Sorrir por obrigação. Seguir por medo. Quando o corpo falha, chamam de fraqueza. Quando a mente cansa, chamam de desculpa. Quando a alma sangra, chamam de drama. E descartam. Porque quem cai expõe a mentira coletiva de que todos estão bem. Aprendi a esconder fissuras. A maquiar exaustão. A negociar comigo mesmo. Caminhei entre leões. Aprendi a linguagem do poder, os códigos da conveniência, o teatro da força. Mesmo assim, nunca fui do grupo. Era tolerado. Nunca pertencente. Presença sem raiz. Voz sem território. E, para continuar ali, virei útil. Apoio. Escada. Ponte. Sustentava projetos, egos, fragilidades alheias. Enquanto ninguém sustentava a minha. Confiei. Acreditei. Projetei lealdade onde só havia interesse. A traição veio suave. Educada. Disfarçada de cuidado. E no amor, foi ainda mais evidente. Enquanto eu resolvia, eu existia. Enquanto carregava, eu era necessário. Enquanto servia, eu era querido. Quando parei, virei ruído. Foi aí que compreendi: muitos não se relacionam com pessoas. Se relacionam com funções. Nesse ponto, algo quebrou. Não foi romântico. Não foi pedagógico. Não foi bonito. Foi brutal. Percebi que eu tinha passado anos me transformando em estrada para quem nunca pretendeu caminhar comigo. Eu era passagem. Nunca destino. E isso não gerou iluminação. Gerou raiva. Lucidez. Desencanto. Passei a desconfiar dos aplausos. Dos convites. Dos afetos fáceis. Passei a ver o mundo como ele é: um mercado emocional, onde quase tudo é troca, quase nada é vínculo. Hoje eu não romantizo liberdade. Liberdade dói. Isola. Cobra. É andar sem garantias. Sem plateia. Sem proteção. É perceber que ser inteiro te torna inconveniente. Que pensar demais incomoda. Que sentir demais afasta. Que não se vender custa caro. Não virei herói. Não virei exemplo. Não virei cura. Virei consciente. E consciência não salva. Ela pesa. Você passa a enxergar as engrenagens, as farsas, as dependências, as manipulações. E já não consegue mais fingir. Hoje eu sei: Não sou gaiola. Não sou ponte. Não sou sombra. Não sou ferramenta. Mas também não sou refúgio. Sou território instável. Cheio de ruínas, ideias, cicatrizes e silêncio. Quem entrar, entra sabendo: não ofereço conforto. Ofereço verdade. E verdade não acolhe. Ela rasga.