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Frase de Gabriel Chalita

Um novo tempo Estamos no início do ano letivo. Nas universidades, milhares de jovens darão início a uma nova fase em suas vidas. Quem não se recorda da imensa expectativa existente no primeiro dia de aula na faculdade? As dúvidas, os medos, os anseios em relação a profissão escolhida, os novos amigos e professores, as incertezas sobre a futura profissão e o sonhado reconhecimento no cada vez mais competitivo mercado de trabalho? É uma realidade cheia de apreensão e de temores e o jovem, nessa hora, assemelha-se a um vulcão pronto para entrar em erupção e espalhar sua lava incandescente ao seu redor. Tudo isso, logo depois de ter sobrevivido (sim, é essa a palavra) a um outro momento de turbulência sem igual: o vestibular. Para a maioria, a grande prova de fogo da juventude. A grande concorrência, a expectativa da família, o drama em escolher a profissão certa em uma idade ainda carente de maturidade e experiência de vida suficientes para uma decisão tão delicada... É como um rito de passagem cercado de desafios envolvendo coragem, perseverança, paciência, técnica, rapidez de raciocínio lógico e abstrato, fluência verbal e tantas outras habilidades essenciais a um guerreiro. Cabe aos pais, mais uma vez, servir de fortaleza e amparar seus filhos em época tão importante para o seu futuro. Pressões e cobranças só tendem a piorar o estado de espírito desses novos desbravadores que sonham em conquistar o mundo e trazem em si uma força e uma garra sem tamanho. São eles, os jovens, os respiradouros do mundo. Neles se concentram todos os raios de luz dos milhares de amanheceres que ainda temos pelo frente. Muitos encontrarão seu caminho de forma mais suave e menos traumática, porque tiveram na infância e na adolescência todas as oportunidades possíveis. Outros, pelo contrário, precisarão ser os arquitetos responsáveis por todos os traçados que delineiam seus projetos de vida, sem incentivo, apoio ou orientação de mais ninguém. Ambos, no entanto, têm em comum a capacidade de mudar as coisas e de transformá-las, sempre, para melhor. Afinal, eles têm como aliado, aquele que é o grande senhor de todos os dias de nossas vidas: o tempo. Poder olhar para frente e saber-se muito jovem é, sem dúvida, um grande antídoto contra a apatia e o desânimo para lutar. Além disso, há também o vigor físico e toda a energia proveniente dele. Por tudo isso, devemos respeitá-lo ao máximo e colaborar com nossa experiência de vida no momento único que é o ingresso na universidade. Afinal, ele é o primeiro passo para uma longa jornada. Uma jornada repleta de alegrias, conquistas e descobertas. É claro que há, também, algumas frustrações, mas todas elas, sem dúvida, fundamentais para a aquisição de autoconhecimento e crescimento interior. Como seria bom se todos os dias pudéssemos novamente despertar em nós essa sensação original e renovadora. A juventude determina, de maneira veemente, o ritmo da história. Desde sempre os jovens estão na vanguarda apontando novos caminhos e traçando rumos muito mais ousados e originais para as mais diversas épocas. Os primeiros movimentos de juventude seriam datados de 100 a.C., quando Marco Túlio Cícero foi obrigado a lidar com os protestos organizados pelos jovens que, na verdade, retratavam as visões da sociedade em geral. Vários governantes, muitos deles, de forma cruel, utilizaram-se dos jovens na tentativa de adquirir uma frente de batalha poderosa para implantar e disseminar os seus pensamentos e doutrinas de toda a ordem. Foi assim com Adolf Hitler, por exemplo. Tem sido assim com inúmeros movimentos sociais, não importando a linha a que pertencem. É sempre o jovem que está exposto na dianteira, para o bem ou para o mal. É relativamente fácil seduzi-los pois buscam de forma constante o novo e têm verdadeira aversão pelos padrões previamente estabelecidos. Amam a possibilidade de contestar, reivindicar, lutar e sonhar. E é na universidade que eles possivelmente desenvolverão muitas de suas inúmeras potencialidades para a batalha da vida. Os bancos escolares, como sabemos, não oferecem as respostas, mas apontam os caminhos para que possamos descobri-las. Por isso, a todos os jovens novos universitários: sejam bem-vindos a um novo tempo. Publicado no Jornal Vale Paraibano

Gabriel Chalita

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Gabriel Chalita

O outro não é uma coisa que existe para nos servir. Ninguém é coisa de ninguém.
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Febem - Um desafio possível Paulo Lins, autor do romance Cidade de Deus - sucesso adaptado com genialidade por Fernando Meirelles para as telas do cinema -, captou com maestria a realidade cruel e dolorosa de crianças e jovens que, corrompidos pelo meio (leia-se ausência total de oportunidades, incentivo, educação e estruturação familiar), ingressaram no universo da marginalidade e da violência. O mesmo teria acontecido, provavelmente, à pequena e indefesa "Negrinha", personagem imortalizada pelo conto homônimo de Monteiro Lobato, caso a menina tivesse nascido no final do século 20, longe dos resquícios da escravidão das fazendas, mas próximo à escravidão social dos ambientes urbanos. Mais uma vez, a ficção - seja literária, seja cinematográfica - nos dá uma lição de vida imprescindível: ou a sociedade compreende a necessidade premente de romper o ciclo vicioso da criminalidade ou estaremos condenando o futuro do Brasil e do mundo de forma irreversível. Somente a mobilização social, por meio da união de esforços entre governos e demais instituições da sociedade civil organizada, pode reverter o rumo caótico que os acontecimentos vêm tomando. Em todo o mundo, os altos índices de violência, que agora se expandem em ritmo acelerado das metrópoles em direção às cidades do interior, compõem um quadro dramático cujos desenhos dantescos nos convidam à tomada de ações imediatas. Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin demonstrou total sintonia com a urgência dessa situação. Por meio de uma atitude corajosa e inovadora, integrou a Febem aos quadros da Secretaria de Estado da Educação, uma iniciativa fundamentada sobre os pilares de um conceito básico para a recuperação dos adolescentes em conflito com a lei: a ressocialização via aprendizado, preparo psicológico, acesso à informação, à cultura, ao esporte e ao lazer. Um método que resulta na aquisição da auto-estima e da autoconfiança, provenientes da descoberta gradativa dos talentos e das potencialidades dos educandos - da mesma forma que deve ocorrer com os alunos do ensino regular, nas escolas. Assim é que se adquire consciência crítica, capacidade de discernimento e, enfim, se constrói a cidadania. É essa a nova proposta da Febem, totalmente condizente com os projetos e ações da Secretaria de Estado da Educação. Temos um enorme desafio pela frente. E, para que possamos superá-lo de forma eficaz, precisaremos do apoio, do incentivo e da colaboração de todos os segmentos sociais. Nesse sentido, gostaríamos de convidar empresas, ONGs, igrejas, universidades e demais instituições para nos auxiliar na missão instigante que é reescrever o roteiro desse filme grandioso e, por isso mesmo, complexo em toda a sua estrutura. Se assumirmos os papéis de diretores, cenógrafos e produtores que essa grande obra requer, poderemos mudar a história de milhares de jovens atores que necessitam de uma orientação mais cuidadosa na concepção, na criação e, finalmente, na concretização de cenas que viabilizem finais mais felizes para suas vidas reais. A ampliação dos programas de liberdade assistida e a construção de unidades menores da Febem, tanto na Capital quanto no Interior, privilegia essa nova realidade e tem possibilitado às equipes da instituição a realização de um trabalho mais produtivo e bem-sucedido, capacitando esses jovens e transformando-os em protagonistas aptos a exercerem sua plena cidadania. Milhares de jovens atores estão aprimorando suas habilidades por meio de aulas do ensino regular e profissionalizante, diversas oficinas de arte, cultura (teatro, dança, artesanato) e, ainda, 32 modalidades esportivas que abrangem do futebol ao xadrez. E isso é só o começo. De nossa parte, garantimos total dedicação e empenho para dar a este enredo um desfecho verdadeiramente alegre, bem diferente dos finais da maioria dos personagens da obra de Paulo Lins e da protagonista do conto de Lobato. Acreditar que é possível é essencial. Vamos seguir à risca a cartilha de Victor Hugo - outro grande ficcionista que retratou em seus livros as injustiças e problemas sociais de seu tempo - que já alertava: "Nada melhor do que um sonho para criar o futuro". Publicado no jornal Diário de S.Paulo