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Frase de Monalisa Ogliari

⁠O mundo muda rapidamente e minha mente gira eletrizante. Perguntas sem resposta. Respostas sem pergunta. Inútil questionar quem sou eu. Talvez amanhã, quando cessar o turbilhão, eu entenda que nenhuma resposta é possível. Sou um ser orgânico, pleno de células. E meu cérebro cheio de neurônios, gerando sinapses. Mas isso diz pouco, quando me deito e não consigo dormir. Quando a angústia aperta e não sei se vou resistir. Andar, andar, andar. Sempre em frente. No fundo sei que sou como uma pedra dura de quebrar. E suporto uma, duas, dezenas e centenas de dias. Tudo poderia ser mais simples, mas o coração não conhece estrada. E nessas horas de perigo, sonho com sua voz dizendo que a vida vale a pena. E em um abraço eu sinto essa dor espairecer lentamente. Eu que tanto amei, no meu quarto vazio, sozinha, eu e minha consciência, busco um sentido mais forte para encarar o tempo e sentir que ele é meu companheiro inseparável. Era para eu ter morrido, mas eu não morri. Limpo um pincel e desenho retratos. Fragmentados. Longas horas pintando e pensando. Por que eu penso tanto? Seria mais fácil ser pragmática, mas reflito longamente sobre acontecimentos tão distantes. E se estou viva penso em Deus. Não tenho religião. Mas sei que há uma força superior. Assim vou mudando de assunto, vagando entre um pensamento e outro. O passado recheado de conquistas e arrependimentos. Deito a cabeça no travesseiro e sinto uma angústia pesada. Onde foi que eu errei? Eu só queria ser feliz. Hoje eu só quero ter paz. Que minha mente não me torture e que não me falte o ar de madrugada. Eu quero sentir prazer em compor um poema, em pintar um quadro, ou cantar. Mas uma apatia me impede de viver. Eu não sou uma vítima. Sou uma mulher forte. Uma mulher que escapou da morte. O futuro me parece obscuro, talvez eu suma e ninguém note. Daquele acidente ficou visões de carros vindo em minha direção. E sinto um sentimento amedrontador. Quando me madaram para o inferno, aquele homem alto e forte começou a me enforcar. Pensei que me mataria. Seria uma morte qualquer, em uma clínica qualquer. Mas eu não sou qualquer, sou uma pessoa única, que seria silenciada em um trágico dia. Sou uma sobrevivente. Não sou uma vítima, mas ainda sinto meu pescoço sendo enforcado. Como essas palavras ficaram tristes e pesadas. Assim é a realidade, dura demais para ser encarada. Pego minha trouxinha de dores e transformo em palavras. Esqueça. Eu sobrevivi e continuo aqui. Às vezes minha mente me dá um descanso e então sinto esperança. Essa semana foi meu aniversário. Que medo eu tenho de aniversários. Minha família veio, trouxe bolo. Eu fiquei feliz, mas quando foram embora, eu chorei. Toda alegria me traz tristeza, porque sei que toda alegria é passageira. A vida também é passageira, mas se demora além da hora. A vida passa arrastada, já sem objetivos. Sobreviver apenas. Morrer de tristeza e não macular o meu corpo. Talvez essa noite eu durma. E minha alma descanse. Monalisa Ogliari

Monalisa Ogliari

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Pensador.com

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Outras frases de Monalisa Ogliari

⁠Um espelho se quebra no escuro, apenas os átomos presenciaram o colapso. Simbologicamente, todo o universo é formado por átomos, que se reorganizam a cada desintegração. Palavras são facas que cortam o silêncio de maneira irremediável. Textos são mísseis direcionados ao interlo…
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⁠Um espelho se quebra no escuro, apenas os átomos presenciaram o colapso. Simbologicamente, todo o universo é formado por átomos, que se reorganizam a cada desintegração. Palavras são facas que cortam o silêncio de maneira irremediável. Textos são mísseis direcionados ao interlocutor. O som de uma memória que nunca aconteceu se assemelha a gotas pingando de uma torneira que não existe. Às vezes a alma se cansa e se aconchega em nosso colo, cujo único afago possível é o silêncio das palavras que nunca brotaram, mas escreveram um livro de memórias caladas. Um relógio quebrado paralisa o tempo como o silêncio joga xadrez com as constelações. Extacolia é um neologismo que mistura êxtase com melancolia. Ela se encontrava em um estado de extacolia e não sabia definir o que sentia. O invisível tem o peso de uma pluma deslizando suavemente dos céus à terra, sem pressa de chegar, até porque ninguém veria. No meio de uma casa abandonada havia um ninho de passarinho. Em vez de ovos, havia uma semente resistente, com sede de vida, que cresceria rompendo o telhado e se formaria como um imponente pinheiro. Todos os dias era Natal. O inconsciente humano é um profundo oceano desconhecido, como a noite escura que absurda os corações aflitos, que não podem comer estrelas. Se a linguagem fosse um corpo ela seria as mãos, esculpindo um ser humano capaz de pronunciar o silêncio das pessoas angustiadas com o grito histérico dos desesperados.

Um ano que passa. Um fremir do vento que leva. Dias, meses, primaveras. Tudo é tão vasto. O tempo passa no tempo que fica. Somos esse livro que o vento escreve. Desafio de se deixar levar. E ter na face refletida o tempo ido. Tristezas e alegrias. Nada permanece no espaço. No ent…
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Um ano que passa. Um fremir do vento que leva. Dias, meses, primaveras. Tudo é tão vasto. O tempo passa no tempo que fica. Somos esse livro que o vento escreve. Desafio de se deixar levar. E ter na face refletida o tempo ido. Tristezas e alegrias. Nada permanece no espaço. No entanto, somos história. Cada ar que respiramos escreve o nosso tempo. Cada pensamento que temos escreve essa existência. Rajada de uma tempestade colossal. Leve como a brisa. Leve como um passo silencioso na noite. Longo como um dia de sol. Tudo é a mesma essência. Inquietude ou efervescência. Passar e permanecer é a lei. Tudo recomeça. Não no calendário. Nossas almas recomeçam a cada instante. Basta um sentimento e já não somos os mesmos. As palavras tentam reter os ponteiros. Mas o relógio é como a ressaca no mar. Sutilmente leva o que tentamos deter. Vivemos, sonhamos, sentimos. Escrevemos cada página do nosso livro. Em cada imagem da retina. Tudo existe e nada passa. Nada é estático. Mas nada se esvai. Viver é aprender a ser e não ser. A arte de estar. Quando tudo passar. Hoje faz sol e faz frio. Neva e queima. Hoje somos além. Tudo é o mesmo sumo. Somos eternos em nossa fugacidade. Em um ponto qualquer da cidade. Um ano que passa. Monalisa Ogliari

A paz No colorido do sol poente Nas cores que se entrelaçam
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A paz No colorido do sol poente Nas cores que se entrelaçam No verde de cada folha A paz Sentimento inominado Da calma que abre espaço A paz que mora na alma E chega sem fazer anúncio A paz Mais que um sentimento fugaz A paz que se demora Nos instantes além da hora A paz Que mora n'alma A paz das palavras Que se escrevem sozinhas A paz que me encontra Quando dela me esqueço A paz Que hoje achou meu endereço. Monalisa Ogliari

De histórias são feitas as histórias. Fragmentos de tempos em tempos. Somos lançados em nossas trajetórias. Uma página em branco. Sem dedicatória. Sede de vida. Peremptória. Estrada de rota indefinida. Caminho que desconhece derrota. Escrituras gravadas em pergaminho. Regras pros…
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De histórias são feitas as histórias. Fragmentos de tempos em tempos. Somos lançados em nossas trajetórias. Uma página em branco. Sem dedicatória. Sede de vida. Peremptória. Estrada de rota indefinida. Caminho que desconhece derrota. Escrituras gravadas em pergaminho. Regras proscritas de uma lei sem rei. Caminho. Seguimos juntos e sozinhos. Intercessões lógicas de um conjunto. Exconjuro. Pago juros. Entro em apuros. Nem eu me aturo. Me atiro. Me jogo do precipício. Viro vício. Me desculpo. Me extravio. Vou de navio. De tanto chorar, eu rio. Desafio. Concilio. Me jogo no vento. É o tempo. Me lanço em você. Me embrenho no pensamento. Concílio do vento. Nebulosa do tempo. Me invento. Te invento. Nos fazemos. Possuo. Desnudo. Mudo grito. Desespero em negrito. Alegria escalando o Everest. Felicidade incontida. Seria perfeito se não fosse a vida. Escuridão de esperança despida. Duas cabeças esculpidas. Uma gargalha e dança no meio da avenida. A outra cumprimenta a morte. Sua face híbrida. Uma de negros e ameaçadores olhos. Outra festiva. Convidativa. Cada uma com sua forma de seduzir. Digo: Eu vou por aqui. E lanço meus olhos em seus negros olhos. É tarde. Negros são meus olhos. Digo: Eu não quero sorrir. É tarde. E já não sei mais onde é aqui, Onde é aí. Sobrevivi. Monalisa Ogliari