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Frase de Fábio Murilo

As prosas, moça, tinham qualquer coisa de rosas desabrochando instantâneas do chão, também água jorrando, brotando, alagando, descendo das encostas, transformando-se em cascatas, caindo, depois se infiltrando, virando rio subterrâneo, lençol freático, lembrança guardada, saudade acumulada, pro outro dia voltar ou virar nuvem ao sabor do vento, chovendo a qualquer momento sem anunciação. Falávamos de Pessoas, Fernando Pessoa, livros, novela das nove, política, pizza, bolo, dor de cabeça, dedo desmentido, unha encravada, as aves do paraíso, tigres de bengala, Deus, a via lacta... Tudo virava assunto, era motivação. Até na falta de assunto nos entendíamos. Textos, pretextos não faltavam razão. Era a perfeita adequação, como que combinado, roteiro escrito, mas não, era tudo improviso, criação. As horas se sucediam e o tempo nem percebia, ficava assistindo, quieto, se distraindo com a gente, participando e esquecendo-se de passar, não indo, fluindo. Dando um tempo, parando, de vez quanto, virando quase fotografia. Era um acontecimento! Tarde era sempre ainda muito cedo, nos despedíamos com vontade de não irmos.

Fábio Murilo

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Morrer é não mais acordar e permanecer no sonho.