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Frase de André Lemour

Escrever Escrever esses textos me ajuda a enxergar as verdades que tento esconder de mim mesmo. Gosto disso. Me faz encarar as coisas como realmente são. Eu sei quando estou mentindo para mim mesmo. E, por mais que às vezes tente fugir, no fundo, a verdade sempre me alcança. Tem dias que parecem desperdiçados, e eu fico tentando entender o porquê. Mas a resposta é sempre a mesma: porque eu escolhi que fosse assim. Eu poderia ter feito algo, poderia ter mudado, mas não fiz. E estava consciente disso o tempo todo. Não dá para mentir para mim mesmo sobre isso. Outros dias são diferentes. Dias em que me sinto vivo, em que aprendo, em que percebo que nunca vou saber tudo – e tudo bem. A diferença entre esses dias não é o acaso, não é sorte ou azar. Sou eu. Sou eu decidindo, mesmo sem perceber, se vou me movimentar ou ficar parado. Já me coloquei demais no papel de vítima, sem nem perceber. E quando percebi, odiei. Porque eu sempre detestei esse tipo de comportamento nos outros. E me ver reproduzindo isso fez eu me sentir um hipócrita. Mas agora eu vejo. E quando a gente percebe, não dá mais para ignorar. Aos poucos, estou mudando. Ainda estou LONGE de ser quem quero ser, mas estou no caminho. O pequeno André teria orgulho, não porque sou perfeito, mas porque sigo tentando. Escrever me faz enxergar tudo isso. Não tem como escapar das palavras quando elas estão bem ali, diante de mim. Eu sei quando estou tentando me enganar. Sei quando estou fugindo. Mas aqui, nesse espaço, não tem para onde correr. Só resta encarar a verdade – e continuar.⁠

André Lemour

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Inabitável tantas formas possíveis, mas sou essa—justamente essa que dói. achei que era o cabelo, cortei.
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Inabitável tantas formas possíveis, mas sou essa—justamente essa que dói. achei que era o cabelo, cortei. talvez o peito, então curvei a coluna, encolhi, escondi. talvez a roupa, mudei. talvez a maneira como me movo, falo, existo. mudei. mudei. mudei tudo que minhas mãos alcançaram. mas meu rosto não esculpe sombras no espelho, meus ombros não marcam presença no espaço. não sou pedra, não sou aço. sou frágil demais para ser quem desejo, pequeno demais para ocupar o mundo como ele exige. há marcas no meu corpo que não reconheço, ausências que gritam na pele, no reflexo. e que tipo de homem eu sou? um que luta para caber em si. eu queria carregar isso com orgulho, mas é um peso que me dobra, me afunda. meu eu por dentro grita, se debate, se agarra às grades da minha pele e implora— onde está meu corpo? onde está meu corpo? onde está meu corpo? me atraio por caras que nunca vão me ver inteiro. sei do olhar que me mede, que me nega, sei do que falta entre as minhas pernas e de como isso faz de mim um quase, um nunca. mas que culpa eu tenho? vou realizar meus sonhos. vou tocar o impossível. mas no fim, ainda serei trans. até o último segundo, até o último suspiro, a palavra nunca me deixará. mas, por quê? por quê?

Quão Quão profundo foi o teu? Quão perdido ficou o meu?
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Quão Quão profundo foi o teu? Quão perdido ficou o meu? Quão real foram os teus? Quão iludido fui eu? Quão forte bateu o peito teu? Quão vazio ficou o meu? Quão breve foi a entrega tua? Quão eterno restou em mim? Quão fácil foi a partida tua? Quão difícil é a minha? Quão leve foi libertar-te? Quão preso ainda estou?