Frase de Leonardo R. Pessoa
Registro do Pôr do Sol Saco a câmera ao ver a luz se desfazendo em farelos no horizonte, o poente repartido entre folhas e ondas. Cada grão dourado adere à pele do vento, como se o tempo, feito metal antigo, cedesse, também, à força invisível da maresia. O sol desce como quem desaprendeu o caminho, tropeça nos galhos secos, tateia as frestas com dedos queimados, num gesto quase humano de hesitação. Não há pressa — o mar perdoa seus atrasos. O céu não é só azul: é um tecido remendado com prismas de luz, um bordado delicado, feito de calor e calma. Distraído, vejo o dia escorrer pelos cantos da tarde, sem saber se é crepúsculo ou despedida. Tudo o que resta é essa teimosia de, em registro, pôr o sol no bolso, como se o infinito coubesse na palma da mão.
No pensador.ai desde