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Frase de Augusto Meyer

⁠IRONIA SENTIMENTAL Coaxar dos sapos, quando a noite é calma, sem jardins simbolistas, nem repuxos cantantes, nem rosas místicas na sombra, nem dor em verso... Coaxar dos sapos, longamente, quando o céu palpita na moldura da janela, num mistério doce, num mistério infinito, e em cada estrela há um lábio, um lábio puro que treme, e um segredo na luz que palpita, palpita...

Augusto Meyer

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Pensador.com

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⁠ALVORADA A alvorada lembra um linho sem mancha, aparando a orvalhada.
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⁠ALVORADA A alvorada lembra um linho sem mancha, aparando a orvalhada. Há musselinas, contas claras de miçanga entre as folhas frescas do pomar. Na meia-luz trêmula, qualquer cousa espera. O jardim ajoelhou, num misticismo doce. Incensórios de corolas, folhas que fossem lábios de seiva, murmurando em prece.. No linho puro, sob o altar da alvorada, é a missa eterna. Passarinhos, campainhas vivas... Toda a alvorada religiosa adora a luz na lenta elevação do sol. (Coração verde, 1926.)

⁠LUA BOA Quando a lua sair nós iremos ao campo esmagar o capim, passo a passo, bem juntos
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⁠LUA BOA Quando a lua sair nós iremos ao campo esmagar o capim, passo a passo, bem juntos como dois namorados que não gostam de falar quando a lua é mais clara e o coração mais limpo. Nós mergulharemos na simplicidade, mão na mão, sonhando as palavras que ficam, enquanto os maricás noivarem, calma grave e nupcial, tristeza boa para a gente saber que vai morrendo, para provar no lábio um gosto que abençoa. Quanta doçura virgem de ervas! Mesmo à noite os trevais têm cheiro azul de manhã, e o capim o capim esmagado perfuma os pés que o pisaram, santamente. (Giraluz, 1928.)

⁠GAITA Eu não tinha mais palavras, vida minha,
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⁠GAITA Eu não tinha mais palavras, vida minha, palavras de bem-querer; eu tinha um campo de mágoas, vida minha, para colher. Eu era uma sombra longa, vida minha, sem cantigas de embalar; tu passavas, tu sorrias, vida minha, sem me olhar. Vida minha, tem pena, tem pena da minha vida! Eu bem sei que vou passando como a tua sombra longa; eu bem sei que vou sonhar sem colher a tua vida, vida minha, sem ter mãos para acenar, eu bem sei que vais levando toda, toda a minha vida, vida minha, e o meu orgulho não tem voz para chamar. (Coração verde, 1926.)

⁠MINUANO Ao Liberato Este vento faz pensar no campo, meus amigos,
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⁠MINUANO Ao Liberato Este vento faz pensar no campo, meus amigos, Este vento vem de longe vem do pampa e do céu. Olá compadre, levanta a poeira em corrupios, assobia e zune encanado na aba do chapéu. Curvo, o chorão arrepia a grenha fofa, giram na dança de roda as folhas mortas, chaminés botam fumaça horizontal ao sopro louco e a vaia fina fura a frincha das portas. Olá compadre, mais alto mais alto! As ondas roxas do rio rolando a espuma batem nas pedras da praia o tapa claro... Esfarrapadas, nuvens nuvens galopeiam no céu gelado, altura azul. Este vento macho é um batismo de orgulho: quando passa lava a cara enfuna o peito, varre a cidade onde eu nasci sobre a coxilha. Não sou daqui, sou lá de fora... Ouço o meu grito gritar na voz do vento - Mano Poeta, se enganche na minha garupa! Comedor de horizontes, meu compadre andarengo, entra! Que bem me faz o teu galope de três dias quando se atufa zunindo na noite gelada... Ó mano Minuano upa upa na garupa! Casuarinas cinamonos pinhais largo lamento gemido imenso, vento! Minha infância tem a voz do vento virgem: ele ventava sobre o rancho onde morei. Todas as vozes numa voz, todas as dores numa dor, todas as raivas na raiva do meu vento! Que bem me faz! mais alto compadre! derruba a casa! me leva junto! eu quero o longe! não sou daqui, sou lá de fora, ouve o meu grito! Eu sou o irmão das solidões sem sentido... Upa upa sobre o pampa e sobre o mar... (Poemas de Bilu, 1929.)