Frase de Nelson Rodrigues da Costa
Há uma sombra no palco, os olhos vazios, o corpo de pedra, repete as palavras como quem mastiga silêncio, e a multidão segue, sem ver o caminho. Há música no ar, não de flautas, mas de cordas gastas que rangem, e eles dançam, dançam como folhas no vento, sem perguntar para onde os leva a corrente. O abismo espera. As bocas sorriem, as mãos caem, há corpos que já se foram, mas ainda seguem os outros, com o brilho de uma fé cega ou de um desespero antigo. Quem os ouve, quem os vê? Só o vento, que leva tudo antes da queda final.
No pensador.ai desde