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Frase de Gregório Duvivier

⁠Soneto da filha pequena Acordei transformado num sultão. A princesa, miçangas em sua testa, dava aos gatos, seus tigres, uma festa. Um cetro de vassoura em sua mão. Seu vestido arrastava pelo chão. Com os liros ergueu uma floresta. Escondida enxergava pela fresta a poltrona vertida em alçapão. Da casa sem crianças tenho dó. Nenhum dos móveis sequer sonhará em ter seus afazeres subvertidos. A pá só servirá pra pôr o pó. A vassoura somente varrerá. As cortinas jamais serão vestidos.

Gregório Duvivier

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Fonte: Sonetos de amor e sacanagem. São Paulo: Companhia das Letras, 2021. | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.

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Outras frases de Gregório Duvivier

É menina Aproveita enquanto ela ainda não engatinha, isso daí quando começa a andar é um inferno É menina, que coisa mais fofa, parece com o pai, parece com a mãe, parece um joelho, upa, upa, não chora, isso é choro de fome, isso é choro de sono, isso é choro de chata, choro de…
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É menina Aproveita enquanto ela ainda não engatinha, isso daí quando começa a andar é um inferno É menina, que coisa mais fofa, parece com o pai, parece com a mãe, parece um joelho, upa, upa, não chora, isso é choro de fome, isso é choro de sono, isso é choro de chata, choro de menina, igualzinha à mãe, achou, sumiu, achou, não faz pirraça, coitada, tem que deixar chorar, vocês fazem tudo o que ela quer, isso vai crescer mimada, eu queria essa vida pra mim, dormir e mamar, aproveita enquanto ela ainda não engatinha, isso daí quando começa a andar é um inferno, daqui a pouco começa a falar, daí não para mais, ela precisa é de um irmão, foi só falar, olha só quem vai ganhar um irmãozinho, tomara que seja menino pra formar um casal, ela tá até mais quieta depois que ele nasceu, parece que ela cuida dele, esses dois vão ser inseparáveis, ela deve morrer de ciúmes, ele já nasceu falante, menino é outra coisa, desde que ele nasceu parece que ela cresceu, já tá uma menina, quando é que vai pra creche, ela não larga dessa boneca por nada, já podia ser mãe, já sabe escrever o nomezinho, quantos dedos têm aqui, qual é a sua princesa da Disney preferida, quem você prefere, o papai ou a mamãe, quem é o seu namoradinho, quem é o seu príncipe da Disney preferido, já se maquia dessa idade, é apaixonada pelo pai, cadê o Ken, daqui a pouco vira mocinha, eu te peguei no colo, só falta ficar mais alta que eu, finalmente largou a boneca, já tava na hora, agora deve tá pensando besteira, soube que virou mocinha, ganhou corpo, tenho uma dieta boa pra você, a dieta do ovo, a dieta do tipo sanguíneo, a dieta da água gelada, essa barriga só resolve com cinta, que corpão, essa menina é um perigo, vai ter que voltar antes de meia-noite, o seu irmão é diferente, menino é outra coisa, vai pela sombra, não sorri pro porteiro, não sorri pro pedreiro, quem é esse menino, se o seu pai descobrir, ele te mata, esse menino é filho de quem, cuidado que homem não presta, não pode dar confiança, não vai pra casa dele, homem gosta é de mulher difícil, tem que se dar valor, homem é tudo igual, segura esse homem, não fuxica, não mexe nas coisas dele, tem coisa que é melhor a gente não saber, não pergunta demais que ele te abandona, o que os olhos não veem o coração não sente, quando é que vão casar, ele tá te enrolando, morar junto é casar, quando é que vão ter filho, ele tá te enrolando, barriga pontuda deve ser menina, é menina.

Erguer antes de tudo uma parede – a parede no caso é importantíssima, pois as janelas só existem sobre
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Erguer antes de tudo uma parede – a parede no caso é importantíssima, pois as janelas só existem sobre paredes, as janelas sobre nada são também nada e não são sequer vistas. Em seguida quebrá-la até fazer nela um grande buraco, não maior que a parede, pois precisamos vê-la, nem menor que seus braços – as janelas sobre as quais não se pode debruçar não são janelas, são buracos. Pronto. Ou quase: agora basta construir um mundo do outro lado da parede, para que possas vê-lo, emoldurado

Soneto prático quando não há mais qualquer coisa após o que vivemos juntos, a não ser
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Soneto prático quando não há mais qualquer coisa após o que vivemos juntos, a não ser o fim, com a tragédia de sabê-lo fim, e a certeza da dor, atroz, quando você e eu formamos nós e nossos nós não podem desatar-se, antes que os nós acabem por cegar-se e de berrar percamos nossa voz, por mais que doa e que nos caia o céu sobre os olhos abertos, e os meus rasguem-se de dor e feito papel chovam corpos picados sobre os seus, por amor mesmo, e para ser fiel, é preciso saber dizer adeus.

Os invasores durante o mês de outubro sobre tudo nos bairros sem praia é preciso
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Os invasores durante o mês de outubro sobre tudo nos bairros sem praia é preciso que ás seis da tarde precisamente tranquem-se as portas fechem-se as janelas apaguem-se as luzes durante quinze minutos de silêncio e escuridão para que os invasores achem que não há mais ninguém ali pois se por acaso houver alguma luz esquecida em algum canto qual quer meus amigos é bom saber pre parem-se pois eles vão achá-la e a través de alguma brecha eles hão de se esgueirar em bando à procura de alguma lâmpada incandescente que lhes sirva de deus sob o qual voarão histéricos para celebrar a luz.