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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

TIRE A ROUPA Demétrio Sena, Magé - RJ. Sempre que tiver chance, fique nu. Não por libido, exibicionismo nem assédio. Qualquer momento de alguém com mais ninguém é uma chance de se livrar dos panos como quem se livra de algemas, aguilhões e rédeas, para circular pela casa, e se possível, pelo quintal. Faça isso feito aquele corcel sem dono que percorre planícies, riachos e descampados, como se o mundo fosse todo seu e se resumisse ao alcance de seus olhos e sua marcha. Mostre para si mesmo, sua nudez. Tire a roupa com silêncio de prece; contrição de culto, e renda um louvor ao vento; à boa solidão de quem não quer companhia. Faça da liberdade ou do ato simples de ser quem é, sua grei momentânea; sua fé; seu credo. Saiba que a nudez autentica o ser humano, certifica sua essência e garante a honestidade plena do invólucro. Corpo nu é transparência; vitrine d´alma; expositor de quem veste a pele, tão só a pele, para se harmonizar com a eternidade breve do ambiente propício. Fique nu pra se ver. Pra se ter. Pra se ler entre as linhas da perfeição de não ser perfeito. De ser perfeito não ser. Sinta o corpo abstrato, apesar de corpo, e su´alma carnal, mesmo que alma. Sinta-se até um pouco Deus, pois se Deus existe, certamente caminha, voa ou paira completamente nu sobre as planícies, os riachos e descampados do suposto paraíso.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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JU Demétrio Sena, Magé - RJ. Dorme o sonho de um anjo que acredita nos poderes de um pai que tudo pode, vence a cripta, o fogo, as forças cósmicas ou as tramas ocultas dos mortais... Põe a vida nos vãos da minha mão; na leitura suave dos afagos; no sermão dos meus olhos que traduzem meu amor infinito; sem medida... Pousa e dorme, acredita em seu herói que não teme vilão, monstro noturno, sara medo e dodói; assusta o susto... Só eu sei que no fundo ela me salva; tem a força, o poder, guarda meu mundo e não deixa minh´alma se perder...

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.