Frase de Marcio Vidal Marinho
AS HORAS Sossegado e lento o dia nasce O sol latente sem nuvens As mulheres já estão apostas Para o dia a dia Os homens relutam, Mas se aprontam. As horas passam E inevitavelmente a vida. 
No pensador.ai desde
AS HORAS Sossegado e lento o dia nasce O sol latente sem nuvens As mulheres já estão apostas Para o dia a dia Os homens relutam, Mas se aprontam. As horas passam E inevitavelmente a vida. 
No pensador.ai desde
ÁRIA PARA AS REPRESAS DE SÃO PAULO Naveguei por tuas entranhas Me arrebentei em tuas curvas
ÁRIA PARA AS REPRESAS DE SÃO PAULO Naveguei por tuas entranhas Me arrebentei em tuas curvas Me molhei no teu centro Bebi dos líquidos teus Mergulhei, pulei, me diverti. Fui inocente ao teu encontro Amei sob os teus olhos. Perdi amigos e quase irmão no teu dorso. Chorei as mágoas dos esquecidos. Naveguei na esperança Mergulhei em busca de paz Descobri tua história, tua criação Percebi tua importância, Passei a cuidar ainda mais. Vi teu nome batendo asas Rubras asas de teu Guará. Alimentei minh’alma, meu corpo. Saciastes a sede de muitos E não pedira nada em troca, Mas aqueles que de ti beberam A esqueceram. Ficaste triste Desabastecida de esperança De chuva e de cuidados. E teu corpo espalha-se Por minhas periferias Pelas margens de minha cidade. Encontrarás rios-mares Nas noites frias e quentes Desaguará nas válvulas dos desperdícios Será beijada pelo céu Em dias de chuva E aquecidas nos dias de sol. Silenciosa eclusa de minha vida Cuja paisagem me enche os olhos na alvorada Teu gigante corpo sobre as cidades Trazem as histórias do século XX E o desprezo do XXI. Minha esplanada líquida Que de tão importante Far-se-á em ouro. Mas mais importante São os ouros de vidas Que por ti clamam.
AMO-TE E ISTO BASTA Amo-te e isto basta Não quero riquezas
AMO-TE E ISTO BASTA Amo-te e isto basta Não quero riquezas Nem palácios. Amo-te e isto basta Teu corpo luzente Amplia meu desejo de viver Sou teu como o ar à vida. Não quero riquezas A felicidade me basta.
ÁLVARO DE CAMPOS FOI À COOPERIFA Chegou cedo e viu o bar vazio Pediu uma bebida, um conhaque.
ÁLVARO DE CAMPOS FOI À COOPERIFA Chegou cedo e viu o bar vazio Pediu uma bebida, um conhaque. Lembrou que estava numa terra Dantes lusitanas; conquista das grandes. Atravessou o mar, sentia medo de avião. Não acreditava ser seguro o homem voar. Lembrou-se das riquezas que sua terra Fez com aquele lugar, agora não Pertence mais a ninguém. Nem a Portugal, nem aos brasileiros, Terra sem dono. Relutara em vir Quando soube que era na periferia. Tinha lido como o Brasil trata A população periférica e ficou com medo De ser confundido com algum morador. Veio porque sua essência Suas raízes se misturam, Inclusive, aos moldes ingleses, Isso o livraria de todo o mal. 19h30 Algumas pessoas começam a chegar Duas mulheres, doces senhoras, Que chegam e o cumprimentam, Isso lhe causa espanto. Quem cumprimenta um desconhecido? O local é um bar típico de favela Pela fama achou que seria mais bonito, Pinturas desgastadas, mesas grudadas. As paredes que vão de encontro à rua Não existem, são grades, como se fosse uma jaula. Próximo ao balcão, uma estante de livros Que se amontoam sem nenhuma ordem. Na parede dois destaques, duas camisetas [emolduradas; Uma com uma árvore escrita, 1a Semana de Arte [Moderna da Periferia, Algo semelhante ao que ouviu falar na década de [1920 sobre o Brasil, em Portugal; A segunda é uma camisa da seleção brasileira de [futebol, Assinada pelo Rei, que não era Sebastião, mas sim, [Pelé. Quando dá por si, não há mais lugares vazios, O bar está inteiramente ocupado. Pessoas de todos os tipos, Brancos, pretos, pardos, ruivos, amarelos, Isso o espanta, pois nunca tivera em um lugar assim, Onde essas raças se misturam. 20h20 Muitas pessoas o cumprimentaram Sem ao menos saber quem ele era É como se fosse dali, há tempos, Como se pertencesse ao lugar. Uma pessoa vai ao microfone Agradece a presença de todos E relata que todos são bem vindos. Como todos podem ser bem vindos? O líder, o poeta, Sérgio Vaz, Chama um grito de ordem Todos os acompanham: Povo lindo, povo inteligente é tudo nosso, Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa! Uma sensação estranha O sangue que corre em minhas veias Ferve, uma adrenalina toma conta, É como se algo mágico fosse acontecer. Chamam o primeiro poeta, Jorge Esteves, ele é aplaudido, Calorosamente, como se fosse uma estrela. Seu poema fala do homem comum Que migrou para tentar a sorte Na cidade grande. Assim, vai seguindo, Outros poetas são chamados, Lourival, Cocão, Lu Souza, Rose Dória, Márcio Batista, Marcio Vidal, Fuzzil, Elizandra, Viviane, Jairo, todos são tratados iguais. Até que uma senhora é chamada, Dona Edite, todos fazem um barulho Estrondoso. A senhora que é cega Recebe auxílio até o microfone, Lá recita o poema “Navio Negreiro”, Neste momento confesso que vi A magia da poesia. Senti algo novo, eu, Álvaro de campos, Engenheiro, viajado, Nunca vi, nem senti Qualquer coisa parecida. Confesso que uma lágrima escorreu, Chorei. Chorei a dificuldade de ver Tão distante das glórias lusitanas de outrora A poesia viva. Descobri porque escrevo. O poeta “more”, Sérgio Vaz, Chama-me, os aplausos São os mesmos efusivos e festivos. Vou à frente, me posto ao microfone, Sinto-me trêmulo, nunca fiquei assim Diante de qualquer público, Nem do próprio Fernando. Inicio o poema Tabacaria E percebo meu coração Disparado, uma felicidade, Um nervosismo. Na metade do poema Estou mais nervoso E não consigo mais falar. Todos os presentes se levantam E batem palmas, assoviam, gritam... As lágrimas dessa vez são maiores, Sinto-me abraçado, Olho e vejo Sérgio Vaz ao meu lado, Ele pede aplausos, aplausos, No final, um coro: Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa!... 
MARIA MÃE DE DEUS Maria mãe de Deus Maria minha mãe
MARIA MÃE DE DEUS Maria mãe de Deus Maria minha mãe Talvez eu seja Irmão de Deus, Mas da parte pobre E sem poderes.