Frase de Elenilson Nascimento
AMAR (AINDA) SOU EU Meu modus operandi é um caos que mora lá dentro de mim, mas ô casinha bagunçada. Meu sol é meu silêncio de cabelos desgrenhados, pés afundados e descalços. Meu grito é meu corpo de bigorna que trasforma tudo de peito aberto. Meu amor é polido em bate papos virtuais, transparente, indecente, complacente, que fere a carne com seu corte de estampido em meio ao congestionamento do trânsito, promessas e mentiras que se tornaram reais. Meu desejo é de molhar a cueca por apenas um sussurro, mesmo que a vida se abra doente e impossível como Narciso ávido e no cio. E na passagem pela Estação do Inferno, Pirajá ou Lapa, entre frestas, pouco importa, pés descalços que lambem o vazio, meu amor nunca se deixa abalar por alguém cujo sobrenome pode ser lido de trás para a frente... Amar é um relâmpago que se desfaz, um zero que gira. Amar é um demônio louco que grita em meio à escuridão. Amar é esta estranha sensação de músculos dilatados. Amar é compartilhar o tempo, contornar o olhar, mentir descaradamente para agradar... Amar é sentir as entranhas desta condição de verme torto com sede e fome de asas. Amar perdidamente (e loucamente) onde amaldiçou as pedras dos monumentos feitos sobre nossos cadáveres que ninguém vê. Amar amaldiçoando esta sociedade de afetação que puni quem pensa com a própria cabeça, mas que continua tendo aquele que ama atravessado em sua garganta. E mesmo quando eu já for um frio cadáver, vou continuar amando loucamente... pois a tevê propaga sempre o catarro no nariz quebrado do morto apaixonado e todos os rótulos dizem sempre que os remédios genéricos são seguros, que na capa da revista sou eu e que o livro do último queridinho vende aquilo que não é meu... Cuidado, seus olhos podem estar escondendo o que o seu coração precisa ver.
No pensador.ai desde