Frase de Otavio Mariano
ALMAS SECAS Trago no peito Amarras de um passado distante Lembranças simples Como de um carro de boi. Tudo era tão saudável Que até as tristezas duravam pouco Bastava alguns dias para esquecê-las O relógio demorava, e o sol se ponhava lento. Hoje as tristezas duram, e o sol se põe rápido Não observamos mais o luar Nem contamos as estrelas Os rios no silêncio da noite Ouvia se os sons das correntezas. Hoje nem mais rios existem Só as pedras secas Até as avencas sumiram da beirada do barranco Minha alma também secou Junto com tudo que se acabou. Busco prazer nas lembranças Mas elas me ferem o peito E me causam melancolias O velho pilão, não mais existe Nem o moinho que exalava o cheiro puro do café, torrado no fogão a lenha. Minha mente virou um museu Que ninguém pode visitar Meu poema é estranho para muitos Só para aqueles que lá viveu. Hoje tudo é diferente, inclusive eu. As procissões pelas estradas empoeiradas Carregavam a santinha "Hó virgem Maria" A mulecada a barulhar Era para pedir a chuva Pras nossas roças molhar. Deus estava tão presente Que parecia nos falar Vocês são abençoados A chuva não tardará. Hoje na modernidade É difícil acreditar Que Deus esteja presente Pra fazer o povo sarar As tristezas são mais longas E o povo se perdeu. Deus não se moderniza, assim como o povo quer Pra quem já viveu na roça É difícil acreditar Que os milagres sumiram Nem sabemos se vai voltar. O povo ficou incrédulo De Deus a se envergonhar Saudades daquele tempo Que nunca mais vai voltar. Por. Otávio Mariano
No pensador.ai desde